Irã participará de negociações sobre o futuro da Síria
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Irã aceitou nesta quarta-feira (28) participar das negociações internacionais sobre o futuro da guerra civil na Síria, as quais estão programadas para ocorrer nos próximos dias em Viena.
A participação do Irã nas conversas vem após convite dos Estados Unidos, que apontam ter mudado sua estratégia para pôr fim à guerra na Síria e facilitar uma transição que leve à saída do ditador Bashar al-Assad.
"Nós acreditamos que a solução para a Síria é uma solução política. Americanos e atores estrangeiros na Síria não têm escolha além de aceitar as realidades da Síria", disse o vice-chanceler iraniano, Hossein Amir Abdollahian, à TV estatal nesta quarta-feira. "Assad (...) tem a preparação necessária para manter conversas com rebeldes comprometidos com uma trajetória política."
Inimigos de longa data, Irã e Estados Unidos têm se reaproximado desde a assinatura do acordo com as potências mundiais para pôr limites ao programa nuclear do país persa.
Principal diplomata iraniano por trás do acordo nuclear, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, foi escolhido para representar seu país nas negociações sobre a Síria.
Também devem participar das negociações diplomatas de alto escalão de EUA, Rússia, França, Reino Unido, Alemanha, Jordânia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e o Qatar.
A participação do Irã nas conversas pode ser decisiva. Ao lado da Rússia e do movimento libanês Hizbullah, o regime iraniano é considerado um dos principais aliados de Assad.
Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, os EUA e seus aliados vinham apostando em uma resolução que passasse pela deposição de Assad, assim como aconteceu com outros ditadores em países da região onde ocorreram protestos no contexto da Primavera Árabe, como Tunísia, Líbia, Iêmen e Egito.
Apesar de esforços dos EUA como apoio a grupos rebeldes, Assad conseguiu se manter no poder. O regime sírio fortaleceu-se nos últimos meses após o início da campanha de ataques aéreos da Rússia no país e a chagada de tropas do Irã, que dão apoio ao Exército.
Em quatro anos e meio, a guerra na Síria já deixou mais de 250 mil mortos e 1 milhão de feridos. Além disso, o conflito forçou o deslocamento de 11 milhões de pessoas, quase metade da população síria. Destes, 4 milhões fugiram para outros países, agravando a crise de refugiados na Europa.
