Para Mercadante, mudança em escolas paulistas "faz sentido", mas é "delicada"
NATÁLIA CANCIAN E MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em audiência no Senado, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que a medida tomada pelo governo paulista ao separar os alunos por faixa etária é "recomendável" do ponto de vista pedagógico, mas que a transferência exige cautela.
A partir do ano que vem, a reformulação das escolas da rede paulista por ciclos de ensino deve envolver a entrega de 94 unidades atualmente ocupadas por estudantes dos ensinos básico e médio de São Paulo.
A medida tem gerado protestos de sindicatos de professores e de pais de alunos - ao todo, 311 mil estudantes devem ser atingidos pela transferência.
Reorganização escolar na rede de SP
Questionado, Mercadante disse que não se sentia confortável "em falar da rede alheia", que é comandada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP), mas defendeu que a educação deve ser uma questão "suprapartidária".
"Fecharam 94 escolas. Do ponto de vista pedagógico, não vejo problema em separar por faixa etária, talvez até faça sentido. Agora, com o problema da mobilidade em SP, os pais que escolhem a escola mais perto de casa vão ter um problema de transporte."
Para Mercadante, a situação impõe "uma questão imediata a ser ajustada".
"Acho que é até recomendável que você tenha faixas etárias específicas, e não ter a criança da alfabetização convivendo com o aluno do último ano do ensino médio. Mas, como fazer essa transição, é algo muito delicado."
CMPF E AJUSTE
A declaração ocorreu durante audiência pública na Comissão de Educação do Senado sobre os programas prioritários do seu ministério.
O ministro também aproveitou a audiência para defender a aprovação pelo Congresso de um novo tributo nos moldes da CPMF porque, em sua avaliação, é um imposto que "pega o caixa dois" e é "fácil de arrecadar".
A proposta, porém, enfrenta a resistência de parlamentares. Diante do impasse, o governo federal já descarta a possibilidade de aprovar a volta do imposto ainda neste ano.
"Eu, particularmente, defendo integralmente a CPMF. É um imposto fácil de arrecadar, não dá para sonegar, pega pessoa física e jurídica, pega quem sonega e não sonega. Agora, tem um problema que desagrada muito: é um imposto que pega o caixa dois. Vamos falar as coisas como elas são. É muito melhor brigar contra a CPMF, que a Receita não vai pegar o meu caixa dois, porque eu pegar outra coisa que chega lá o que for", disse.
Mercadante também defendeu que o Congresso aprove outras medidas do ajuste fiscal, como a repatriação de recursos depositados ilegalmente no exterior. "Todos os entes [federativos] estão na crise. Quanto mais cedo e melhor fizermos o ajuste, melhor resultados teremos."
GOLEIRO
Alijado da Casa Civil na última reforma ministerial feita pela presidente Dilma Rousseff, após sofrer forte pressão de parte do seu próprio partido, o PT, e do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Mercadante ironizou sua saída do ministério ao agradecer às falas de apoio de alguns senadores, que o parabenizaram por ter retornado ao Ministério da Educação - pasta que ele já havia comandado entre 2012 e o início de 2014.
"Agradeço o apoio dos senadores. Sei que muitos queriam me ver longe da Casa Civil por razões que eu reconheço e que são meritórias. A democracia é assim. Mas me sinto melhor no Ministério da Educação. Saí do meu silêncio obsequioso. Agora vou debater o tempo inteiro. Deixei de ser goleiro e agora vou ser centroavante", disse.
