Questão e redação do Enem recebem críticas e elogios nas redes sociais
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prova do Enem, aplicada neste final de semana em todo o país, provocou uma série de manifestações nas redes sociais. A polêmica ficou em torno de uma questão que citou a filósofa francesa feminista Simone de Beauvoir e do tema da redação: "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira".
A citação de Beauvoir estava na prova de sábado, que dizia: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquido, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino."
O trecho provocou críticas de Jair Bolsonaro em sua página no Facebook. "Mais ou tão grave quanto a corrupção é a doutrinação imposta pelo PT junto a nossa juventude. O João não nasceu homem e a Maria não nasceu mulher. O sonho petista em querer nos transformar em idiotas materializa-se em várias questões do Enem (Exame Nacional do Ensino MARXISTA)", afirmou.
O deputado federal Marco Feliciano também criticou a questão nas redes sociais. "Infelizmente o que é pra ser um momento de jubilo entre toda sociedade, estudantes, seus familiares e os mestres responsáveis pelo futuro de uma geração, mais uma vez se torna instrumento para que alguns infiltrados mostrem suas garras fétidas e invistam sobre a formação intelectual de nossos jovens, tentando incutir em suas puras mente culturas estranhas aos nossos costumes e tradições".
Feliciano fala ainda em questionar o ministro da Educação, Aloisio Mercadante, "sobre a abordagem do assunto, teoria de gênero, que já deveria estar sepultado e seus assessores teimam em desenterrar esse fétido cadáver".
Neste domingo (25), Mercadante respondeu às críticas e afirmou que a educação tem que estar aberto a conhecer e refletir.
"Simone de Beauvoir é uma intelectual internacionalmente reconhecida. A grande contribuição literária dela se dá nos anos 1950 e 1960 onde a questão central era a condição da mulher na sociedade e a luta pelo direito de participação das mulheres. É bom lembrar que até 1962 no Brasil a mulher juridicamente era considerada num casamento como relativamente incapaz, sem direitos, e até os anos 1930 era impedida de votar", afirmou.
Na prova deste domingo, a polêmica ficou em torno do tema da redação. Enquanto a discussão sobre a violência contra a mulher foi motivo de comemoração dos estudantes e gerou elogio dos professores, nas redes sociais provocou debates entre pessoas contra e à favor, inclusive com a criação da hashtag #Enemfeminista.
Maria do Rosário Nunes, que já foi ministra dos Direitos Humanos, usou sua página no Facebook e disse que o tema "é pedagogicamente acertado, ao mesmo tempo que relevante na perspectiva humanista".
"A violência contra a mulher não é um fenômeno pontual ou de conhecimento restrito. Todos os dias são divulgados casos reais, histórias de vidas destruídas pela violência, em situações que atingem um grande número de mulheres no Brasil e no mundo", acrescentou.
A presidente Dilma Rousseff também comentou no Twitter. "A sociedade brasileira precisa combater a violência contra a mulher", disse.
"Estamos numa sociedade onde ainda há muita violência contra a mulher. Apesar de uma série de iniciativas e políticas públicas nos últimos anos, como a lei Maria da Penha, da lei do feminicídio e das delegacias da mulher, ela está presente em praticamente todos os municípios e os indicadores são muito preocupantes", disse Mercadante.
