A Netanyahu, Kerry pede ações contra violência que superem acusações
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário de Estado dos Estado Unidos, John Kerry, afirmou nesta quinta-feira (22) esperar que líderes israelenses e palestinos tomem ações para "encontrar um caminho à frente" e pôr fim à recente onda de ataques na região.
A declaração foi feita durante encontro em Berlim com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pouco depois um novo esfaqueamento ter sido registrado em Israel.
"Precisamos adotar medidas que nos levem além da retórica e das condenações", disse o americano. "É crítico que todo o incitamento e a violência parem e que nós encontremos um caminho, que não está aí hoje, rumo a um processo mais amplo."
Na reunião, o líder israelense disse ser hora de a comunidade internacional pressionar o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para que "deixe de espalhar mentiras de que Israel" estaria buscando interferir no estatuto de locais sagrados em Jerusalém.
Segundo assessores, o objetivo de Kerry no encontro seria fazer com que as lideranças dos dois lados baixem o tom das declarações que têm feito nas últimas semanas, as quais estimulariam a atmosfera de tensão.
Nesta quarta, palestinos e israelenses criticaram Netanyahu após ele ter afirmado que a ideia de exterminar judeus durante o Holocausto não teria sido ideia do ditador nazista Adolf Hitler, e sim de um líder religioso palestino.
Na semana passada, Abbas provocou polêmica ao acusar Israel de "exterminar crianças" e de ter matado um adolescente palestino após ele ter participado de um esfaqueamento em Jerusalém. Posteriormente, foram divulgadas imagens do garoto em tratamento no hospital, desmentindo a versão de Abbas.
As recentes declarações demonstram a guerra de narrativas que caracteriza o conflito entre israelenses e palestinos e que chega ao auge na atual onda de ataques em Israel e nos territórios palestinos ocupados.
Após se reunir com o premiê israelense, Kerry planeja encontrar nos próximos dias lideranças palestinas e jordanianas para tentar encontrar uma solução contra a violência na região. Desde o começo de outubro, foram mortos ao menos dez israelenses e 48 palestinos, 27 dos quais identificados como agressores.
O secretário de Estado americano já liderou uma tentativa de processo de paz entre israelenses e palestinos. As frágeis negociações foram encerradas definitivamente após a incursão militar de Israel contra o grupo islamita Hamas na faixa de Gaza, entre julho e agosto de 2014.
ATAQUES
A onda de violência na região prosseguiu nesta quinta-feira. Segundo a polícia, dois árabes esfaquearam um judeu, ferindo-o levemente, na cidade israelense de Beit Shemesh.
Os agressores foram baleados no local, e um deles morreu posteriormente no hospital.
Em Jerusalém, soldados israelenses mataram um judeu na noite de quarta-feira (22) acreditando que ele era um "terrorista".
Segundo a polícia, o homem se recusou a mostrar sua identidade para os soldados e tentou tomar a arma de um deles. Após abrirem fogo, os agentes constataram no documento que ele era judeu.
As autoridades israelenses afirmaram nesta quinta que quatro pessoas deporão à Justiça sobre o linchamento de um imigrante eritreu após um esfaqueamento que deixou um soldado morto e vários feridos em Beersheba no fim de semana. Não está claro se as pessoas serão indiciadas pelo incidente.
Após o ataque, perpetrado por um árabe-israelense que foi baleado e morto no local, um vigia atirou no imigrante, pensando que ele era o agressor. Uma multidão agrediu o homem, que morreu no dia seguinte no hospital.
