Prefeitura do Rio de Janeiro vai cobrir "calote" de passageiros no VLT
ITALO NOGUEIRA, ENVIADO ESPECIAL
TAUBATÉ , SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura do Rio terá que cobrir eventuais "calotes" de passageiros que usarem o VLT no centro do Rio. O sistema, que começa a operar no primeiro semestre do ano que vem, prevê pagamento voluntário na maioria dos pontos de embarque.
A cobertura com dinheiro público ocorrerá se a taxa de evasão (passageiros que não pagaram a tarifa) exceder em 10% o total de embarques ao sistema. A prefeitura, contudo, diz contar com a "civilidade" do carioca.
Dos 32 pontos de embarque, apenas três terão roletas. Nos demais, o pagamento com cartão do bilhete único será feito em máquinas dentro do trem. Haverá um caixa eletrônico nas paradas para compra de tíquetes avulsos (ainda sem preço definido), que também deverão ser validados dentro do VLT.
"Optamos por apostar na civilidade, na possibilidade de civilizar o usuário carioca. O cidadão, ao perceber a qualidade do transporte que ele está usufruindo, vai voluntariamente fazer essa validação", disse Luiz Lobo, diretor de operações da Cdurp ( Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária).
O contrato entre a prefeitura e a concessionária do VLT prevê o pagamento por total de acessos aos trens - medidos por sensores. A principal fonte de recursos será a arrecadação de tarifa.
Se a diferença entre o total de acesso e o de cartões validados for maior de 10%, prefeitura e empresa dividem o prejuízo. Acima de 20%, a prefeitura vai ressarcir o operador do sistema.
A prefeitura também poderá lucrar com o VLT, caso o total de validação de cartões supere 10% de uma demanda mínima ainda em definição. Neste caso, município e empresa dividem o excedente. A partir de 20% a mais, tudo vai para os cofres públicos. Este excedente poderá ser usado para compensar a cobertura de eventuais "calotes".
"O contrato tem uma forma de remuneração mista. O ideal é que seja sempre pela tarifa", disse Carlos Eduardo Baldi, presidente da concessionária do VLT.
Haverá fiscais circulando no VLT para verificar a validação dos cartões. A princípio, não está prevista a cobrança de multas. O passageiro flagrado sem ter pago a passagem terá de fazê-lo.
De acordo com Lobo, a prefeitura estuda regulamentar a aplicação de multas no sistema - o que exigiria envio de projeto de lei à Câmara Municipal. Se a taxa de evasão for alta e constante, as 29 estações abertas poderão receber roletas.
"Não queríamos construir na cidade estações fechadas que se transformem em empecilho para os pedestres. Mas elas foram construídas já com a possibilidade de receber catracas", disse Lobo. O projeto inicial prevê estações fechadas na praça 15, Central do Brasil e Rodoviária - onde espera-se mais movimento.
A prática do "calote" ocorre atualmente até em estações fechadas do BRT - sistema de corredor exclusivo de ônibus. Alguns passageiros escalam a plataforma próximo à porta de acesso aos veículos para não ter de passar pela roleta. Neste caso, o contrato com as empresas de ônibus não prevê ressarcimento dos cofres públicos.
TARIFA
Com 28 quilômetros de extensão, o VLT tem como objetivo ser o meio de transporte do centro da cidade, atendendo aos passageiros que chegam no bairro em outros meios de transporte. O tráfego de ônibus na região será reduzido com a reorganização de itinerários.
No entanto, a seis meses do início da primeira fase de implantação, ainda não estão definidos o preço da tarifa, a necessidade de subsídio para a integração com ônibus, trem, metrô e barcas nem a demanda mínima a ser garantida ao operador.
Um estudo contratado pela Secretaria Municipal de Transporte ainda vai definir o valor da tarifa unitária do VLT. Ele também vai definir a eventual necessidade de subsídio no uso do bilhete único municipal.
"O município até hoje não dá subsídio. Só vamos dar se for necessário para atender a demanda mínima definida por contrato", disse o presidente da Cdurp, Jorge Arraes.
A prefeitura vai ampliar o uso do bilhete único para três embarques - atualmente são dois -, já que o objetivo é que ônibus não entrem no centro.
VLT NACIONAL
A concessionária do VLT apresentou nesta quarta (21) a primeira composição do tipo produzida no Brasil.
A Alstom vai montar em Taubaté (SP) 27 dos 32 trens que circularão no centro da cidade. Os cinco primeiros, dos quais dois já chegaram ao Rio, foram produzidos em La Rochelle (França).
O VLT começa a funcionar em abril com apenas sete composições, em parte do trajeto. Toda a extensão de 28 quilômetros com os 32 VLTs estará em operação a partir do segundo semestre de 2016.
O repórter viajou a convite da concessionária do VLT Carioca
