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Bairro turístico de Buenos Aires, Recoleta está há três dias sem luz

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Na praça Vicente Lopez, no turístico bairro da Recoleta, em Buenos Aires, a paisagem desta sexta (16) foi alterada por 12 grandes geradores de energia, que faziam um ruído que perturbava o florista Horácio Diaz, 52, instalado na esquina das ruas Montevidéu e Juncal.
"Quando saí ontem à noite [quinta, 15], estavam ligados dois geradores, agora estão todos a pleno vapor. Imagina como este barulho está incomodando quem mora aqui em frente", comentou o comerciante.
Desde o meio-dia de terça (13), o bairro -um dos mais abastados da capital argentina- está às escuras, resultado do rompimento de um cabo de alta tensão a pouco mais de dois quilômetros dali.
O acidente, provocado por uma empresa que prestava serviços para a telefônica Telmex, afetou cerca de 88 mil pessoas. Nesta sexta (16), 12 mil moradores e turistas, instalados nos hotéis na Recoleta, ainda conviviam com a falta de eletricidade.
Gerente-geral do Buenos Aires Grand Hotel, Gonzalo Arias contou que gastou 40.000 pesos (R$ 10,5 mil) em diesel para manter ligados dois geradores instalados no subsolo do edifício de três anos, uma raridade entre os prédios antigos do bairro.
"Hoje [sexta] desligamos nossos geradores, porque passamos a receber energia dos geradores instalados na praça aqui ao lado. Nunca havia visto nada igual", afirmou o gerente.
"Nos disseram que o serviço seria restabelecido no fim de semana, mas pelo investimento que fizeram, com esses geradores, me parece que vai demorar mais para normalizar a situação".
Arias afirma que os hóspedes não foram afetados, mas muitos turistas com reservas para os próximos dias estão ligando para saber se há energia no edifício.
O mesmo aconteceu no Hotel Marselles de los Angeles, a três quadras dali.
Sem a mesma estrutura de geradores, os hóspedes do pequeno hotel contaram apenas com as luzes de segurança nas primeiras 24h da falta de energia.
"Na nossa rua, a energia voltou na quarta (14), por sorte. Ia ser um prejuízo enorme se ficássemos dois, três dias sem luz", disse o recepcionista Marcelo Lima, 55.
A cada duas ou três quadras na Recoleta, há um grande gerador "estacionado".
A luz voltou para a maioria dos clientes, mas a baixa tensão afetou o fornecimento de outros serviços, como o de água e internet. Os cafés que conseguiam oferecer serviço de wi-fi ficaram disputados nos últimos dias, onde os clientes aproveitaram também para recarregar a bateria dos celulares.
O comércio nas ruas que seguiam sem luz funcionava parcialmente, um prejuízo para os lojistas às vésperas do Dia das Mães (na Argentina, comemorado no próximo domingo, 18).
"As pessoas não têm água em casa e estão sem humor para comprar flores. Minhas vendas caíram muito em relação ao Dia das Mães do ano passado, vamos ver se até domingo melhora um pouco", disse o florista Diaz.
Vendedora de um mercado próximo, Florência Luz, 25, disse que o pior era sair do trabalho à noite, uma vez que as ruas ficam completamente escuras.
Segundo informou o jornal "La Nación", dois comerciantes registraram assaltos nas últimas noites, resultado do não funcionamento de alarmes de segurança.
A menos de uma quadra da praça Vicente Lopez, o zelador Ramón de Rosa, 50, alugou um gerador por três horas para bombear água para a caixa d'água. A máquina seria utilizada em seguida pelo edifício ao lado. Os elevadores não funcionavam, e os moradores, muitos deles aposentados, enfrentavam escadas em um edifício de 12 andares.
Do outro lado da rua, os edifícios tinham luz. "Estamos convivendo com essa confusão, com o barulho dos geradores e não temos energia", queixava-se.
A Edesur, empresa privada que detém a concessão no fornecimento de eletricidade do bairro, informou que o corte prosseguia nesta sexta (16) em quatro ruas do bairro e que o restabelecimento do serviço ocorreria no fim de semana.
Sessenta geradores foram instalados na região, uma despesa que a imprensa local calculou em 100 milhões de pesos (R$ 26 milhões).

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