Candidato governista na Argentina anuncia nome de três ministras
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Favorito na eleição presidencial argentina, o candidato de Cristina Kirchner anunciou nesta semana nomes que deverão integrar seu futuro governo, caso seja eleito na votação do próximo dia 25.
Nesta quinta (15), ele anunciou três mulheres para cargos-chave da sua administração: Silvina Batakis será ministra da Economia, Silvina Girvtz, de Educação, e Cristina Alvarez Rodriguez, de Governo. A última é sobrinha-neta de Eva Perón.
O nome mais aguardado era o de Batakis, que assumirá a Fazenda durante um período de esperadas mudanças na política econômica do país.
Batakis é atualmente secretária de Economia de Scioli, na província de Buenos Aires. Em sua campanha eleitoral, o candidato vem defendendo sua gestão, dizendo que a economista conduziu um ajuste nas contas regionais sem cortar investimentos.
Mas, entre economistas, ela é pouco conhecida e é tida como pouco experiente para a função.
O Ministério da Economia será o cargo de maior atenção no próximo governo.
A expectativa é que a pasta conduza políticas para lidar com a escassez de dólares no país e reverter o isolamento econômico da Argentina, que nos últimos anos passou a limitar importações e aumentar a regulação sobre setores econômicos.
Outro desafio será baixar a inflação, atualmente em 25% ao ano, e ajustar um déficit público que chegará a nível recorde ao fim deste ano, equivalente a 7% do PIB argentino.
Batakis é formada pela Universidade de La Plata, com mestrado em economia ambiental na Universidade de York, na Inglaterra.
Para Daniel Kerner, analista da consultoria Eurasia Group, o nome de Batakis não tem peso e pode afetar a efetividade dos ajustes necessários na economia do país.
"Nossa principal preocupação com esse anúncio, e com a forma como a equipe econômica está sendo formada, é que Scioli perdeu a chance de ter alguém com mais credibilidade para consolidar as expectativas", escreveu Kerner em relatório.
"Talvez isso gere dúvidas sobre como será a coordenação da política econômica, que será necessária no plano de Scioli de adotar um gradualismo [nas mudanças econômicas]".
Dois economistas veteranos são conselheiros do candidato e eram cotados para a vaga: Miguel Bein e Mário Blejer. A expectativa é que os dois sigam como conselheiros de Scioli em um eventual governo do peronista.
Nesta semana, Scioli anunciou que, se eleito, seu ministro do Interior será o atual governador de Entre Ríos, Sergio Urribarri, e o chefe de gabinete (espécie de Casa Civil), será Alberto Perez, que também trabalha com o governador na província de Buenos Aires.
