Durante protesto, PM atira contra manifestante do Ocupe Estelita, em PE
PATRÍCIA BRITTO
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Um policial militar do Batalhão de Radiopatrulha atirou em direção ao rosto de um manifestante durante protesto do movimento Ocupe Estelita na noite desta quinta-feira (1º), no Recife.
Vídeos que foram divulgados nas redes sociais mostram o momento em que os manifestantes levantam uma faixa para passar sobre dois policiais que estavam na rua, em frente à passeata.
A faixa encosta no boné de um dos policiais, que reage e dispara um tiro de bala de borracha em direção ao rosto do estudante Leonardo Ferreira, 21.
Segundo manifestantes que estavam no protesto ouvidos pela reportagem, os policiais que acompanharam o ato tentavam "provocar" os manifestantes desde o início do ato.
"Foi arbitrário, o policial atirou sem ter nenhuma troca de palavras. Não consigo pensar em outro motivo que não o racismo, porque o Leonardo era o único negro que estava na frente", disse o estudante Pethrus Cavalcante, 23.
Em nota, o Comando Geral da Polícia Militar afirma que determinou o afastamento do policial envolvido e que ordenou "a apuração rigorosa dos fatos".
"De imediato, o comando já determinou a apuração rigorosa dos fatos, que considera lamentável e equivocado. Até que sejam concluídas as apurações, já foi determinado ao comando do BPRP (Batalhão de Radiopatrulha) que afaste o policial militar envolvido no episódio das ocorrências de mesma natureza."
HISTÓRICO
O cais José Estelita, na região central do Recife, virou alvo de debates entre movimentos sociais, poder público e construtoras do Consórcio Novo Recife, que pretendem erguer um empreendimento imobiliário no local.
Em 2014, ativistas deram início ao movimento que ficou conhecido como Ocupe Estelita, que se opõe à obra. Eles afirmam que o empreendimento irá descaracterizar a paisagem do centro histórico da cidade e defendem o uso pública da área.
O projeto prevê a construção de 13 espigões -dez prédios residenciais, um empresarial, um misto e um hotel- no terreno onde existem antigos armazéns, considerados pelo Ministério Público construções de valor histórico. O investimento previsto no local é de R$ 1,5 bilhão.
