Vazamento faz Alckmin adiar outra vez obra contra rodízio de água em SP
FABRÍCIO LOBEL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vazamentos atrasaram a inauguração da principal obra do governo Geraldo Alckmin (PSDB) contra a adoção de um rodízio de água na Grande SP, que deveria ter sido entregue nesta quarta-feira (30).
A obra é uma interligação que levará água do cheio reservatório do Rio Grande (braço da represa Billings) ao crítico Alto Tietê, manancial no extremo leste da região metropolitana.
O local estava preparado para receber o governador nesta manhã, que iria apertar o botão de acionamento das bombas na cerimônia de inauguração. O evento foi cancelado.
O presidente da Sabesp (companhia de abastecimento), Jerson Kelman, afirmou que o atraso é irrelevante, mas não especificou em quanto tempo a interligação ficará pronta. "A obra está praticamente completa. É questão de horas ou dias para entregar", disse.
VAZAMENTOS
Os acidentes ocorreram no início da tarde de terça (29), quando engenheiros da Sabesp (empresa de abastecimento) realizavam os primeiros testes com água dentro dos tubos da obra.
O primeiro vazamento ocorreu em uma área alagada do percurso dos tubos. No fim da tarde, operários esperavam o envio de uma válvula que poderia resolver o problema.
O segundo vazamento ocorreu em frente a casa de Maria Lúcia Scarpanti, 58. "Eu ouvi o estrondo que até tremeu a janela. E achei que fosse a tubulação da Petrobras estourando", conta. Uma válvula acoplada aos tubos da obra rompeu com a pressão da água.
O terceiro vazamento ocorreu já próximo ao local do desemboque da água em um córrego no município de Ribeirão Pires. Operários passaram a tarde apertando parte das conexões.
Em nota, a Sabesp informou que mergulhadores estão no local tentando solucionar o problema. "Tão logo os ajustes sejam feitos a obra entrará em operação."
Para os engenheiros da companhia que vistoriaram o local, esses tipos de vazamentos são comuns quando se enche pela primeira vez uma adutora com água. "A adutora está íntegra, os problemas foram pontuais e vamos reparar o quanto antes", disse Guilherme Paixão, que esteve à frente da obra.
Até a noite de terça operários tentavam encontrar uma solução para o problema antes que Alckmin apertasse o botão de acionamento das bombas na cerimônia de inauguração da obra.
Sob o ponto de vista da engenharia, a obra é arrojada. Segundo a Sabesp não há outro empreendimento com a mesma estrutura e material em curso na America Latina e na Europa.
No entanto, os operários sempre tiveram que correr contra o tempo para entregar a obra antes que o sistema Alto Tietê entrasse em colapso.
ATRASOS
Outra corrida contra o tempo foi motivada pelo fato de que, em janeiro deste ano, Alckmin havia prometido que a obra estaria em funcionamento em maio. Quando o governador fez a promessa, no entanto, a Sabesp não tinha equipamentos, contratos ou licenciamento ambiental para começar a construção.
O licenciamento ambiental é outro questionamento feito à interligação, já que a Sabesp teve apenas que entregar um estudo de impacto simplificado para conseguir a autorização. Segundo uma norma federal, interligações de bacias dependem de estudos mais avançados.
Além disso, o projeto deveria ter passado por consulta a entidades ambientais públicas, como o comitê de bacias e Conselho Estadual do Meio Ambiente, o que até agora não ocorreu.
