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Após arrastões, ônibus para a zona sul do Rio passa por 7 barreiras policiais

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RONALD LINCOLN JR.
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A atenção da Polícia Militar do Rio sobre os ônibus da linha 474 se intensificou após os relatos de confusão no último fim de semana. Neste sábado (26), a reportagem fez o trajeto, do bairro do Jacaré (zona norte) até o Leblon (zona sul), por duas vezes e registrou o aumento da vigilância sobre o veículo e seus passageiros.
A linha 474, uma das mais utilizadas para quem quer ir do subúrbio para as praias da zona sul, é marcada por relatos de furtos, depredação e invasão, como ocorreu no último fim de semana, quando serviu de transporte para envolvidos em arrastões na orla.
Foi também uma das linhas atacadas por grupos de lutadores da zona sul que quebraram janelas dos ônibus e espancaram passageiros que lhes pareciam suspeitos.
As viagens deste sábado foram marcadas por forte policiamento durante o percurso. Não houve invasão de menores que não pagaram passagem, nem tumulto.
O ônibus passou por sete barreiras policiais e, em duas delas, agentes da PM entraram no veículo para revistar passageiros. Os escolhidos eram todos homens negros, entre 20 e 30 anos.
"Sem se identificar, a reportagem também foi abordada nas duas ocasiões, no bairro de Triagem e na Leopoldina, ambos na zona norte.
Mesmo com o ônibus relativamente vazio, seis policiais entraram e pediram aos passageiros escolhidos que levantassem a camiseta. Os agentes também revistavam bermudas ou calças, apalpando sem enfiar as mãos nos bolsos. Em apenas uma das abordagens foi pedido o documento de identidade.
Em nenhum dos casos a abordagem foi acompanhada por agentes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, como havia sido prometido anteriormente pela prefeitura. "Nunca tomei tanta dura num dia só", comentou, constrangido, um dos passageiros que sofreu a revista.
Um senhora, por outro lado, apoiou a ação. "Esses meninos não estão respeitando ninguém, roubando todo mundo", afirmou. "A coisa é complicada para a gente que mora em comunidade, acaba entrando todo mundo no mesmo pacote."
A mobilização das forças de segurança pública para evitar tumultos e arrastões na temporada de praia no Rio deve seguir até o fim do verão.

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