Pesquisas apontam nova vitória do Syriza na Grécia, mas com coalizão
LEANDRO COLON
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - Pesquisas de boca-de-urna divulgadas na Grécia após a eleição deste domingo (20) apontam a vitória do partido de esquerda Syriza, do líder Alexis Tsipras, sobre o de centro-direita Nova Democracia.
Os números, se confirmados na apuração, indicam que o Syriza terá de formar uma coalizão com legendas menores para obter maioria no Parlamento e devolver a Tsipras o posto de primeiro-ministro, depois de ele ter renunciado em agosto com apenas sete meses de governo.
De acordo com pesquisa divulgada por cinco canais de televisão da Grécia, o Syriza teria obtido entre 30% e 34% dos votos, ante 28,5% a 32,5% do adversário, seu antecessor no governo. Com 11% dos votos apurados, o Syriza aparecia com 34% e o Nova Democracia, 28,5%.
Pelas regras, 250 das 300 cadeiras do Parlamento são distribuídas de acordo com os votos nas urnas e as demais 50 são entregues ao partido que ficar em primeiro lugar no placar geral.
Ou seja, uma legenda precisa obter pelo menos 38% para obter a maioria do Parlamento sem precisar de aliança - em janeiro, o Syriza conseguiu chegar a 149 cadeiras e teve de formar coalizão com partido de direita Gregos Independentes para governar. Desta vez, ao que tudo indica, teria de repetir o acordo ou buscar novos aliados, como o Potami ou o Pasok, dois que também são distantes do pensamento de esquerda.
Alexis Tsipras, 41, convocou novas eleições em agosto depois que perdeu o apoio de aliados contrários ao socorro de ? 86 bilhões celebrado com credores internacionais em julho. A estratégia dele é tentar retornar com mais respaldo popular e uma maioria consolidada no Parlamento para conduzir o compromisso de ajuste fiscal negociado para o resgate.
O Nova Democracia concorre com o líder Vangelis Meimarakis, 51, um político experiente que assumiu o comando da legenda em julho após a queda do ex-premiê Antonio Samaras.
A campanha de quatro semanas não atraiu muito interesse da população, que não consegue mais enxergar diferença entre os dois principais partidos que sucumbiram aos credores em suas gestões.
Um líder carismático, Tsipras assumiu em janeiro sob o discurso contrário às medidas de austeridade adotadas pelo governos anteriores desde 2010, quando a Grécia quase veio à falência estatal.
Diante de uma economia frágil, uma dívida pública de 177% do PIB e uma taxa de desemprego de 25%, a maior da Europa, Tsipras não conseguiu enfrentar os credores, nem implantar seus programas.
Seu governo chegou a dar um calote no FMI, teve de impor controle de capitais à população e realizou um plebiscito às pressas em que 61% dos gregos votaram contra um acordo.
Tsipras se fortaleceu internamente, mas não teve força econômica para encarar o outro lado do balcão: dez dias depois da votação, teve de ceder e firmar compromissos de um pacote tributário e previdenciário em troca do socorro de ? 86 bilhões, 48% do PIB do país em 2014. Ele ainda abriu mão de parte da autonomia orçamentária da Grécia. A rebelião no Syriza foi imediata, com a perda de um grupo de parlamentares que formaram um novo partido, Unidade Popular, com cerca de 25 deputados.
