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Hungria declara emergência e realiza detenções para barrar refugiados

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Hungria afirmou ter detido 60 pessoas nesta terça (15) após a entrada em vigor de uma nova legislação que torna crime cruzar a fronteira com a Sérvia e que planeja indiciar aqueles que foram pegos.
Também nesta terça, o país declarou estado de emergência na fronteira com a Sérvia, permitindo, assim, o envio do Exército para a região para tentar impedir imigrantes e refugiados de entrarem no país.
A lei é uma resposta à crise de refugiados que leva muitos solicitantes de asilo, muitos dos quais provenientes da Síria, a seguir para a Europa em busca de asilo. Em razão da crise, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu que uma reunião de cúpula da União Europeia fosse marcada já para a semana que vem.
A fronteira da Sérvia com a Hungria, atualmente demarcada por uma cerca de arame farpado -e que está sendo substituída por outra, maior-, é uma das principais portas de entrada de refugiados na União Europeia (UE).
A declaração de emergência também permite às autoridades bloquear estradas e interromper o serviço de instituições públicas.
Desde a manhã de terça, dois dos sete postos de passagem entre a Hungria e a Sérvia permanecem fechados por ordens de Budapeste. Na noite anterior, uma passagem aberta em uma linha de trem, que tem servido de entrada para muitos dos refugiados, também foi bloqueada por arame farpado.
Uma multidão se concentra no principal posto da fronteira, em Roszke, onde os húngaros abriram um escritório temporário para tentar processar chegada de estrangeiros. O grupo tentou forçar a entrada sem passar pelo controle, mas apenas cerca de 20 pessoas conseguiram.
As autoridades sérvias repudiaram as interdições e pediram a reabertura imediata de Roszke, temendo que isso leve a crise humanitária para Horgos, do seu lado da fronteira.
Já o ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, confirmou que o país considera erguer uma nova cerca de arame farpado também na fronteira coma Romênia.
REUNIÃO
Em Berlim, a chanceler alemã, acompanhada de seu colega austríaco, Werner Faymann, pediu uma reunião de cúpula urgente da União Europeia para discutir a crise de refugiados, a pior enfrentada pelo continente desde a Segunda Guerra Mundial.
Estima-se que cerca de 200 mil refugiados tenham entrado na União Europeia pela fronteira com a Hungria, apesar das tentativas do governo húngaro de barrar o fluxo de pessoas. A maioria deles tem como destino final países mais desenvolvidos, especialmente a Alemanha.
Alemanha, Áustria e Suécia, três dos destinos finais mais concorridos pelos refugiados, têm tentado dividir a responsabilidade de abrigá-los com outros países do bloco, mas enfrentam resistência, especialmente de República Tcheca, Eslováquia e Polônia.
Segundo a OIM (Organização Internacional para a Migração), 464 mil estrangeiros entraram na Europa em 2015 em busca de refúgio, incluindo 181 mil sírios.
A Áustria disse ter recebido o número recorde de 20 mil refugiados apenas na última segunda-feira (14), além de outros 1.520 na manhã de terça.

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