Primeiro-ministro da Austrália é substituído por rival moderado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Partido Liberal, que governa a Austrália desde 2013, decidiu nesta segunda-feira (14) substituir o líder da legenda e primeiro-ministro, Tony Abbott, após meses de disputas internas e quedas de popularidade.
O desgastado e conservador Abbott perdeu uma votação secreta entre membros do partido por 54 votos a 44 para o multimilionário e atual ministro das Comunicações, Malcolm Turnbull. A ministra das Relações Exteriores, Julie Bishop, havia declarado apoio a Turnbull e foi reeleita líder adjunta da sigla.
"O primeiro-ministro não tem sido capaz de garantir a liderança econômica de que nossa nação necessita", disse Turnbull antes da votação. "Precisamos de um estilo diferente de liderança."
Em fevereiro, Abbott havia sido submetido a um voto de confiança no partido e continuou no poder.
Diferentemente de Abbott, o novo premiê é mal visto pela ala à direita do Partido Liberal por apoiar o casamento gay, a taxação por emissão de carbono e a mudança do sistema político para a república -atualmente, a chefe de Estado australiana é a rainha britânica, Elizabeth 2ª.
Com a troca de liderança, o Partido Liberal busca recuperar sua popularidade para tentar se manter no poder após as eleições gerais marcadas para setembro de 2016.
Pesquisas de opinião mostram que Turnbull é mais popular que seu rival, Abbott, mas muitos dos que o preferem são eleitores do Partido Trabalhista, de centro-esquerda.
A substituição do primeiro-ministro da Austrália é mais um episódio de instabilidade política, sendo Turbull o quarto premiê em apenas dois anos.
Atualmente, o governo enfrenta o fim de um período de prosperidade econômica alavancado pela extração de carvão mineral, atividade que evitou que o país entrasse em recessão durante a crise financeira global iniciada em 2008.
