Centros de votação da Guatemala são fechados após pacíficas eleições
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As autoridades eleitorais da Guatemala fecharam os centros de votação neste domingo (6) após um processo que, apesar da turbulência pelos escândalos de corrupção, transcorreu de forma pacífica para eleger o novo presidente e legislativo.
As 2.700 mesas de votação fecharam às 18h locais (21h de Brasília) em 338 municípios do país e os primeiros resultados são esperados para as 21h locais (0h de segunda-feira).
Guatemaltecos foram às urnas para eleger um novo governo, depois de uma campanha turbulenta envolta em escândalos de corrupção que culminaram na queda e prisão do ex-presidente Otto Pérez.
Depois de cinco horas de urnas abertas, 51% da população já havia votado. Mais de 7,5 milhões de eleitores foram convocados para escolher um novo presidente, além de 338 prefeitos, 158 deputados e 20 deputados do Parlamento Centroamericano. A divulgação do resultado foi prevista para 1h desta segunda (horário de Brasília).
Pesquisas apontam uma corrida acirrada e um provável segundo turno. De acordo com o instituto ProDatos, o comediante Jimmy Morales, do partido de direita Frente de Convergência Nacional, lidera com 25% das intenções de voto. Em segundo, está o também conservador Manuel Baldizón com 22,9%. Em terceiro vem a social-democrata Sandra Torres, com 18,4%.
Os números mostram uma mudança na tendência eleitoral. Até a semana passada, Baldizón liderava com folga. Depois que seu nome foi envolvido em investigações de desvio de verba, ele começou a despencar nas pesquisas.
Dirigentes políticos e sociais foram votar logo cedo. Depois de depositar o voto, o presidente da Guatemala, Alejandro Maldonado, exortou cidadãos a defender a democracia de seu país "porque o voto é um dever e um direito para poder exigir". Com três dias de mandato, Maldonado disse que espera uma jornada de paz e conciliação.
Apesar do clima de tranquilidade, o Instituto Centroamericano de Estudos Para a Democracia (Demos) da Guatemala denunciou, no mesmo dia, deficiências no controle do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) em centros de votação, com indícios de delitos eleitorais.
A instituição assegurou que partidos fizeram propaganda eleitoral durante a eleição e que, em alguns centros, os dedos dos eleitores não foram manchados -a medida impediria o voto repetido.
Na Escola Campo Verde, as 18 mesas de votação tiveram filas no período da manhã. "A corrupção não é nova, mas agora que foi descoberta, as autoridades estão sob observação", disse Mario Porras, 75, que está confiante de que "esta eleição marcará uma mudança no país".
Otto Pérez Molina renunciou à Presidência na semana passada devido a acusações de corrupção. Assim como sua vice-presidente, Roxana Baldetti, está preso preventivamente.
O esquema de desvios de verbas aduaneiras foi revelado em 16 de abril pela Comissão da ONU contra a Impunidade. "O governo que surge destas eleições terá a mais baixa legitimidade dos últimos 30 anos. A eleição não detém a crise, vai agravá-la", disse o analista político Edgar Gutiérrez.
