Perito não vê excesso nem erro da PM em ação que deixou dois mortos na Sé
LUCAS FERRAZ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para o perito criminal Nelson Massini, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), a Polícia Militar não errou nem cometeu excessos na ação que resultou em dois mortos na tarde desta sexta-feira (4) nas escadarias da catedral da Sé, no centro de São Paulo.
Ele analisou a pedido da Folha de S.Paulo imagens da TV Bandeirantes e vídeos feitos por testemunhas que documentaram o crime em celulares.
"A polícia poderia ter atirado antes, havia legitimidade para isso. Houve um momento em que a refém tenta tirar a arma das mãos do homem e ele fica em posição de descanso. Se fosse a polícia americana, teria atirado", disse.
Segundo Massini, os policiais que estavam naquele momento na praça da Sé eram de rua, que faziam patrulha na região, sem experiência ou preparo para uma ação rápida, como exigia a situação. Para ele, é compreensível que os PMs agissem com cautela, sobretudo pelo local, cartão-postal do centro de São Paulo e com bastante movimento.
"A dúvida é se a polícia poderia ter atirado antes, mas todos foram pegos de surpresa. Optaram por não atirar. Não há o que condenar. Essa é uma decisão difícil que deve ser tomada em muito pouco tempo, com base em pouquíssimas informações", afirmou.
Ele ressaltou que os tiros dos policiais foram corretos, sem oferecer risco aos demais presentes. "A reação do autor dos disparos é de quem não está nem um pouco suscetível a negociações", completou.
Ainda de acordo com Nelson Massini, as reações da refém, que em nenhum momento demonstrou passividade, revelam que ela sabia do poder ofensivo do homem armado.
