Manifestantes de extrema direita vaiam Merkel em visita a refugiados
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após ser hostilizada por grupos de extrema direita, a chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu uma política de tolerância zero contra ataques a estrangeiros refugiados no país.
Merkel viajou a Hedenau, uma pequena cidade próxima à fronteira com a República Tcheca, para expressar apoio a refugiados após demonstrações violentas de grupos neonazistas no local ao longo do fim de semana.
Dezenas de policiais ficaram feridos por coquetéis molotov nos protestos, que tentavam bloquear a passagem de imigrantes que requisitavam asilo a um abrigo improvisado em uma loja abandonada da cidade.
Nesta quarta (26), muitos manifestantes protestaram contra Merkel buzinando de carros, gritando palavras de ordem e segurando placas onde lia-se "Traidora" e "A Imprensa Mente".
"É vergonhoso e repulsivo o que vivenciamos aqui", disse a chanceler, em relação aos distúrbios do fim de semana. "Precisamos usar toda a nossa força para deixar claro que não vamos tolerar aqueles que colocam a dignidade dos outros em questão. Não haverá tolerância àqueles que não estão preparados para ajudar quando necessário", afirmou.
Antes de fazer o discurso, Merkel se encontrou com funcionários de associações humanitárias e com alguns dos 560 imigrantes que foram alvos dos protestos.
A Alemanha tem enfrentado dificuldades para providenciar moradias adequadas para os milhares de imigrantes em busca de asilo que chegam ao país. Estima-se que o total de refugiados em 2015 chegue a 800 mil -quatro vezes mais do que no ano anterior.
Uma parcela da população alemã, identificada com grupos neonazistas e de extrema direita, tem se oposto a chegada e estabelecimento de estrangeiros, mesmo em abrigos precários. O país registrou 202 ataques contra imigrantes desde o início do ano.
