Uber busca funcionários para expandir lobby no Brasil
ALEXANDRE ARAGÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com o objetivo de expandir seu lobby pela legalização do serviço que oferece, o Uber está à procura de dois gerentes de políticas públicas no Brasil, um para trabalhar em São Paulo e outro em Brasília. O caminho é semelhante ao trilhado em outros países.
Desde o ano passado, a companhia contrata funcionários para atuar nas áreas de comunicação e de políticas públicas, setores em que busca concentrar seus esforços com o intuito de defender mudanças na legislação.
Em outubro, o Uber contratou o advogado Daniel Mangabeira Dantas para a vaga de diretor de políticas públicas os novos funcionários devem ficar subordinados a ele. Ao lado do porta-voz da companhia, Fabio Sabba, Dantas atua em eventos públicos representando o Uber.
Na segunda (17), Dantas foi vaiado em audiência na Câmara, organizada pelo vereador José Police Neto (PSD), cujo objetivo era debater a atuação do serviço. ?O Plano Diretor de São Paulo permite nossa operação?, disse Dantas, na ocasião. ?Nós não viemos para competir e nem tirar mercado de ninguém.?
O papel dos futuros funcionários será analisar leis e projetos de lei com influência direta na atuação da empresa, a fim de determinar a melhor estratégia para que o serviço possa atuar de maneira legal. Procurado pela reportagem, o Uber não quis comentar o tema.
Cargos com denominações que incluem ?políticas públicas?, ?defesa de interesses? e ?relações governamentais? são usados por empresas para eufemizar a atuação de lobistas, cuja atuação não é regulamentada no Brasil.
Isso, no entanto, não quer dizer necessariamente que os funcionários cometam crime. A concepção clássica do lobby como nos Estados Unidos, onde é legal diz respeito a buscar argumentos para defender, junto a parlamentares ou ao Executivo, projetos de lei que favoreçam determinado setor ou empresa.
OUTROS PAÍSES
A movimentação repete o que a empresa fez em outros mercados, como o indiano, o chinês e o australiano, com diferentes graus de sucesso. Segundo reportagem do jornal ?The Wall Street Journal?, o Uber mudou sua estratégia de expansão, adotando postura mais ?diplomática?, após sucessivos insucessos.
Os problemas regulatórios que a companhia enfrente são a principal preocupação de investidores, conforme relatou ao jornal americano Bill Gurley, sócio de uma das primeiras firmas que investiram na empresa e membro de seu conselho de administração.
O Uber possui uma diretora de políticas públicas dedicada à região de Nova Gales do Sul, na Austrália. Lá, a empresa foi alvo de mandado de busca e apreensão após lançar o UberX, serviço de baixo custo da companhia indisponível no Brasil , que compete diretamente com táxis.
Em janeiro, a cidade de Calcutá (Índia) aprovou legislação que legaliza serviços como o da companhia. A legislação define o Uber como uma ?empresa de transporte em rede? (?transportation network company?, em inglês), diferenciando seus motoristas de taxistas comuns. O Uber também possui um diretor de políticas públicas lá.
