Serviço secreto britânico espionou Doris Lessing por seu comunismo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), Prêmio Nobel de Literatura em 2007, foi espionada pelos serviços secretos britânicos no final dos anos 1940 e início dos anos 1950 devido ao seu comunismo e anticolonialismo, segundo consta em documentos que deixaram de ser sigilosos nesta sexta-feira (21).
"Certamente pró-comunista, embora não esteja claro se é um membro do partido (comunista britânico). Suas simpatias comunistas chegaram ao fanatismo por sua infância na Rodésia [atual Zimbábue]", informa um relatório de 1952 do serviço de inteligência britânico sobre o exterior MI6.
A romancista, que nasceu no Irã e cresceu na Rodésia, mudou-se para Londres em 1949, pouco após fazer uma viagem à Rússia com outros cinco autores britânicos.
"A exploração colonial é seu assunto favorito (...), dizendo que tudo o que é negro é fantástico e que todos os homens e todas as coisas de brancos são perniciosas", prossegue o documento.
Segundo os documentos, àquela época o serviço secreto não foi capaz de determinar se ela já era filiada ao Partido Comunista britânico.
Em 1951 ela já estava no partido, o qual deixou em 1956 devido ao sufocamento da Revolução Húngara pela União Soviética. A romancista escreveu mais de 50 títulos. O mais famoso é "O Carnê Dourado", de 1962.
