De volta do exterior, governador de Buenos Aires responde a adversários
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Após ter 24 horas fora do país, o governador da província de Buenos Aires e candidato a presidente da Argentina, Daniel Scioli, decretou emergência hídrica e rejeitou críticas sobre sua ausência durante a crise causada pelas inundações na província.
Enchentes afetam a província de Buenos Aires há uma semana.
Segundo informação oficial, 40 cidades têm zonas de alagamento e 2.000 pessoas estão desalojadas. Outras 4.000 deixaram suas casas preventivamente.
Scioli participou das eleições primárias do último fim de semana e viajou à Itália na terça (11).
Seus adversários criticaram sua ausência em um momento crítico e o acusaram de não ter investido em obras de infraestrutura durante os oito anos em que governou a província.
Nesta quinta (13), durante entrevista coletiva em que apresentou seu gabinete de crise, Scioli afirmou que teria contatos informais com autoridades italianas e que aproveitaria a viagem para fazer um tratamento médico no braço amputado. O político perdeu o braço direito em um acidente em 1989.
"Tive um esforço extenuante neste final de campanha [das eleições primárias], e esse nível de estresse levou ao limite minha dor física. Minha situação de saúde, como vocês sabem, exige que eu faça consultas médicas permanentemente. Eu tenho que estar totalmente bem para dar conta da exigência física e psíquica no atendimento à população", afirmou Scioli.
Segundo ele, em sua partida para a Europa, a avaliação era que a água começaria a baixar. Mas, por efeito do fenômeno climático chamado Sudestada -ventos frios que trazem umidade à região do rio da Prata-, os rios continuaram subindo e o problema aumentou.
"Nas 24 horas em que eu não estava aqui, eu estava permanentemente em contato. A tecnologia permite que as pessoas hoje não se afastem de seu trabalho e de suas responsabilidades", afirmou.
Scioli culpou as chuvas intensas dos últimos dias pelo problema. Segundo ele, em três dias choveu 30% do previsto para um ano.
Ele disse que não era o momento de fazer um "inventário das obras" e que "a prioridade neste momento é dar assistência aos prejudicados".
"Não estive ausente nem faço demagogia política, coloquemos as coisas no seu lugar. O adversário é a mudança climática. Lamento os que querem levar o assunto para termos políticos", disse o governador.
