Prefeitura prorroga prazo de consulta da licitação dos ônibus de SP
ANDRÉ MONTEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pressionada por ONGs, a gestão Fernando Haddad (PT) decidiu reabrir o prazo de consulta pública da licitação do transporte paulistano.
A concorrência vai selecionar as empresas que vão operar os ônibus municipais por duas décadas e tem valor estimado em R$ 70 bilhões.
O período de consulta e envio de sugestões ao edital foi encerrado na tarde desta segunda-feira (10), mas o secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que ele foi reaberto e agora irá até o dia 31.
O anúncio ocorreu após reunião do secretário com as quatro entidades que cobravam mais prazo para analisar os documentos da prefeitura, na manhã desta terça-feira (11).
Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Iema (Instituto Energia e Meio Ambiente), Greenpeace e a Rede Nossa São Paulo protocolaram uma carta na última semana pedindo mais 60 dias de consulta e a realização de audiências públicas.
Na segunda, o Greenpeace ainda chegou colocar um ônibus de papel, em tamanho real, em frente à prefeitura, com a mensagem "#ProrrogaHaddad".
Além da ampliação do prazo, foi anunciado nesta terça que o edital será discutido na próxima reunião do Conselho Municipal de Transportes e Trânsito, no dia 20 de agosto, e que técnicos da prefeitura vão tirar dúvidas sobre a licitação em um grupo temático.
CARTA
Em carta à prefeitura, as entidades pediam uma prorrogação para analisar as cerca de 5.000 páginas do edital.
Elas calcularam que, nos 22 dias úteis do primeiro período de consulta, trabalhando oito horas, seria preciso ler uma página a cada dois minutos para dar conta de tudo.
"Ainda que o prazo não tenha sido estendido conforme nossa recomendação, a realização da reunião pública e a oportunidade de debater os pontos da licitação com os técnicos são uma vitória para a sociedade", disse Vitor Leal, do Greenpeace.
A licitação chegou a lançada em 2013, mas foi cancelada por Haddad em meio aos protestos daquele ano. O prefeito decidiu contratar uma auditoria para revisar os contratos vigentes, que foram assinados em 2003, antes de relançar a licitação.
Antes da reunião, Tatto e Haddad afirmavam que o prazo poderia ser ampliado desde que fossem apontados problemas concretos no edital.
