Governo de São Paulo é culpado por rigor da crise hídrica, conclui TCE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prevenção à crise hídrica em São Paulo merecia maiores esforços do governo Geraldo Alckmin.
Essa foi a conclusão de relatório do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado), elaborado pela Diretoria de Contas do Governador, que analisou as contas estaduais de 2014.
O documento foi publicado no dia 8 de maio, mas a informação sobre a responsabilidade da gestão estadual no rigor da escassez de água foi revelada nesta terça-feira (11) pelo jornal "O Estado de S. Paulo".
As contas de Alckmin foram aprovadas com ressalvas no dia 17 de julho, mesma data em que o TCU (Tribunal de Contas de União) deu prazo de 30 dias para a presidente Dilma Rousseff explicar irregularidades apontadas pelo órgão na prestação de contas do governo federal, de 2014.
CRÍTICAS E APONTAMENTOS
Entre as críticas apresentadas pelo TCE, estão a de que era de conhecimento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) o volume total de perdas de água no sistema de abastecimento paulista e, portanto, "maiores esforços no combate ao desperdício e às fraudes que ocorrem" eram necessários.
Ainda segundo o documento, algumas ações da Sabesp foram reduzidas, mesmo em 2014, ano em que a crise hídrica começou a ser sentida mais fortemente no Estado e especialmente na Região Metropolitana de São Paulo.
"Houve decréscimo da quantidade de ações relacionadas à substituição de rede com troca de ramais de 2013 para 2014, à substituição de hidrômetros de pequena capacidade de 2013 para 2014 e principalmente com relação à troca de hidrômetros de grande capacidade", aponta o relatório.
O tribunal ainda questiona porque algumas das ações da Sabesp contra a crise hídrica só foram tomadas em 2015, como a criação do "Comitê de Crise Hídrica no âmbito da Região Metropolitana de São Paulo", feita em fevereiro deste ano.
De acordo com o TCE, levantamentos feitos pelo Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, nos anos de 2011, 2012 e 2013 já apontavam "criticidade da disponibilidade de água", nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Para o órgão fiscalizador, entre as medidas que o governo poderia ter adotado para amenizar o rigor da crise hídrica estão: a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros; a recuperação da Billings; o combate mais efetivo às perdas de água e a construção de novos reservatórios para a capital.
CANTAREIRA
A crise hídrica no Estado afeta o principal sistema que abastece a Grande São Paulo, o Cantareira.
Nos dez primeiros dias de agosto, por exemplo, a entrada de água nesse sistema foi de apenas 1/4 da média histórica do mês.
Para efeito comparativo, na segunda-feira (10) o sistema Cantareira estava com 13,7% de sua capacidade, contra 19,1% na mesma data do ano passado.
OUTRO LADO
Procurada para comentar as críticas feitas pelo TCE, a Sabesp informou que as respostas aos questionamentos do tribunal serão dadas pela Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos. Até a publicação desta reportagem, a secretaria ainda não havia respondido à reportagem.
