Cristina atribui denúncias contra candidato aliado a operação midiática
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A presidente Cristina Kirchner atribuiu a uma operação midiática e de parte do poder Judiciário as denúncias que apareceram nos últimos dias contra o principal candidato de seu partido, Aníbal Fernández, na província de Buenos Aires, maior colégio eleitoral do país.
No próximo domingo (9), a Argentina terá eleições primárias. Nesta etapa, os eleitores vão escolher quem serão os candidatos de cada partido ou coligação que vão disputar as eleições definitivas, em outubro.
É neste momento também que se mede a força dos candidatos e sua capacidade de atrair apoio político até as eleições de outubro.
No último domingo (3), foram reveladas denúncias contra Fernández, que, como chefe de gabinete, é um dos principais ministros de Cristina.
Ele foi acusado de ser o mandante de um triplo assassinato ocorrido há sete anos e de proteger uma quadrilha de traficantes de efedrina -substância que também é utilizada para fazer drogas sintéticas. Ele nega as denúncias.
Cristina afirmou que a denúncia contra seu ministro faz parte de política deliberada "feita em momentos precisos contra pessoas precisas" e que se transformou em um modus operandi em toda a América do Sul.
"Antes havia grupos de tarefas com membros das Forças Armadas. Hoje, são grupos que se apoiam em um tripé de denúncia midiática, clivagem política de centro-direita e de um poder Judiciário articulando tudo para criar um clima prévio à campanha [eleitoral]", afirmou. "Digo isso para que os argentinos se deem conta do que acontece no país e em toda a América do Sul."
Cristina discursou nesta quarta (5) em cadeia nacional após uma semana de repouso devido a uma laringite aguda.
