Coalizão saudita anuncia trégua após matar dezenas de civis no Iêmen
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após realizar ataques aéreos que mataram dezenas civis no Iêmen, segundo testemunhas, a Arábia Saudita anunciou uma trégua de cinco dias em sua ofensiva contra rebeldes no país vizinho.
O governo de Riad combate milicianos xiitas houthis que, no início deste ano, expulsaram o presidente iemenita eleito, Abdo Rabbo Mansur Hadi, do poder. Hadi atualmente vive refugiado na capital da Arábia Saudita.
Segundo a agência de notícias France Presse, ao menos 35 civis morreram e dezenas ficaram feridos na cidade portuária de Mokha (Taiz) em um ataque aéreo da coalizão neste sábado (25). De acordo com a Associated Press, esse número pode chegar a 120 mortos.
Na sexta (24), também um bairro residencial, onde viviam funcionários de uma usina elétrica, teria sido atingido na mesma cidade. Mokha, habitada principalmente por pescadores, tinha a reputação de ser um dos lugares mais seguros do país, apesar da guerra.
Horas após o ataque de sábado, a coalizão anunciou uma pausa humanitária de cinco dias em seus bombardeios. A trégua deve ter início a partir de 23h59 de domingo (26), horário local. Ainda assim, o governo de Riad informou que irá responder a qualquer atividade militar dos rebeldes.
Há apreensão de que o acordo não seja respeitado. Tréguas que no passado foram negociadas pelas Nações Unidas não se mantiveram por muito tempo.
GUERRA
A Arábia Saudita forma uma coalizão contra os milicianos houthis, ao lado de Emirados Árabes Unidos, Kuait, Qatar, Bahrein, Egito, Jordânia, Marrocos e Sudão, para tentar reconduzir Hadi ao poder.
Desde 2014, a milícia xiita houthi (também conhecida como Ansar Allah, "Seguidores de Allah") e aliados do ex-ditador Ali Abdallah Saleh empreendem uma campanha militar que conseguiu dominar importantes cidades do país, inclusive parte da capital, Sanaa.
Mais de 3.640 pessoas, a metade delas civis, morreram no Iêmen desde o início da campanha da coalizão, em março, segundo a ONU.
