Dorrit Harazim vence Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo
SYLVIA COLOMBO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A jornalista brasileira Dorrit Harazim, 72, foi anunciada, na manhã desta quarta-feira (22), em São Paulo, vencedora da terceira edição do Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo. A entrega será feita em Medellín, na Colômbia, no próximo dia 30 de setembro.
Participaram do conselho que definiu a vencedora da edição deste ano Héctor Abad Faciolince, Martín Caparrós, Sergio Ramirez, Jon Lee Anderson e Rosental Alves, entre outros.
Harazim foi selecionada porque é "capaz de dirigir e, além disso, o que às vezes é algo mais complexo, também é capaz de ser dirigida. Quando seu talento não é o que alcança uma grande reportagem, ela então o alcança com a sua constância. Dorrit Harazim não é de soltar a sua presa quando encontra uma história, e é capaz de perseguir um mesmo assunto durante dez anos ou mais", diz o texto do comunicado.
A trajetória da jornalista passa pelas revistas "Veja" e "Piauí". Atualmente, é colunista do jornal "O Globo".
O diretor da fundação baseada em Cartagena, Jaime Abello Banfi, disse, durante o anúncio, que o prêmio é um "estímulo para esse ofício em tempos de difíceis e em que muitos também passam por riscos físicos."
Em sua declaração, Harazim apontou para a distância entre o jornalismo brasileiro daquele realizado no resto da América Latina. "Existe uma produção riquíssima nos outros países, e deveríamos ter mais acesso e hábito de acompanhar. Quando o fazemos, ao menor descuido, largamos novamente. Tenho 72 anos e tive tempo suficiente de me dar conta do isolamento a que eu mesma me submeti."
Criada por Gabriel García Márquez (1927-2014), a fundação realiza oficinas, conferências e promove prêmios em distintas áreas.
Harazim também apontou para uma necessidade de mudança no comportamento do brasileiro ao não se interessar em aprender o espanhol.
"O 'portunhol' é um jeito brasileiro de dizer 'não precisamos aprender'. E isso não está certo. Uma coisa é o turista brasileiro usar o 'portunhol' em sua viagem à Argentina, outra coisa é o jornalista. Nós não podemos fazer coberturas na América Latina assim. Temos de aprender. Aqui ainda cometemos um erro de achar que somos um continente, mas na verdade, somos uma ilha."
