Plenário do Senado aprova indicação de embaixador para a OEA
GABRIELA GUERREIRO E FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Depois de rejeitar a indicação de um aliado da presidente Dilma Rousseff para representar o Brasil na OEA (Organização dos Estados Americanos), o Senado aprovou nesta quarta-feira (15) o nome do embaixador José Luiz Machado e Costa, 63, para ocupar o cargo, vago há quatro anos.
A aprovação registrou um placar de 54 votos favoráveis e apenas cinco contrários. Em maio, o plenário do Senado rejeitou a indicação do diplomata Guilherme Patriota para a função. Próximo ao assessor para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, Patriota também é irmão do ex-chanceler e atual embaixador do Brasil na ONU, Antonio Patriota.
A rejeição foi interpretada como uma retaliação do Senado ao governo Dilma Rousseff.
Ao contrário do que ocorreu com Guilherme Patriota, o nome de Costa teve o apoio de senadores da oposição. Para o senador José Agripino (DEM), Costa é um nome "desarmado de espírito ideológico".
O petista Jorge Viana (AC) também teceu elogios à nova indicação: "A retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos vai certamente fortalecer o papel da OEA. (...) Temos indicação de um nome que vai representar bem o Brasil, sem sombra de dúvidas".
SABATINA
Em sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, na semana passada, Machado e Costa reconheceu certa "paralisia" da OEA diante da divergência entre seus integrantes. Para ele, o Brasil tem um papel relevante em buscar consenso entre os países da organização.
"A OEA é hoje o único organismo das Américas que contempla as ilhas do Caribe e a maior potência do planeta [EUA]. (...) Essa diversidade às vezes é traduzida em disputa entre países e blocos de países dentro da organização, o que acaba por gerar certa paralisia. Considero o Brasil o único país capaz de transitar com facilidade por todos os diferentes grupos dentro da organização", afirmou.
Ele mencionou a dívida do Brasil com a OEA -da ordem de US$ 18 milhões- mas destacou que o Itamaraty atua para reduzir esse débito. "O ministro tem efetuado gestões para o pagamento, ao menos em parte, como gesto de apoio ao novo secretário-geral", afirmou, em referência ao uruguaio Luís Almagro.
