Base de acordo com Irã é a verificação, e não a confiança, diz Obama
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que todos os caminhos para o Irã desenvolver uma arma nuclear foram cortados por um acordo histórico anunciado nesta terça-feira (14) em Viena.
"[O acordo assegurará] que o Irã não desenvolva uma arma nuclear", afirmou.
Em pronunciamento na Casa Branca, o líder norte-americano afirmou aos que veem com ceticismo a negociação, que "esse acordo não é construído na confiança; ele é construído na verificação", referindo-se ao fato de que o comprometimento de Teerã com o documento será verificado por inspeções.
Obama ameaçou vetar qualquer legislação do Congresso que tente bloquear a implementação do acordo.
Segundo o presidente americano, a falta de um acordo "significa um maior risco de mais guerra" no Oriente Médio.
O Irã e as potências mundiais alcançaram na Áustria o acordo histórico para limitar o programa nuclear da República Islâmica após 20 meses de difíceis negociações.
O acordo foi buscado como eixo da política externa de Obama pode ajudar a reformular a tortuosa relação do Irã com o Ocidente.
Participaram das negociações representantes do Irã e do grupo chamado G+1 (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, mais Alemanha).
"O acordo do Irã demonstra construtivos esforços de comprometimento. Resolvida esta crise desnecessária, novos horizontes surgem visando desafios compartilhados", publicou no Twitter o presidente iraniano, Hasan Rowhani.
Sob o acordo, sanções impostas pelos EUA, pela União Europeia e pelas Nações Unidas serão suspensas em troca de o Irã limitar a longo prazo o seu programa nuclear para que não tenha capacidade de construir uma bomba atômica.
Embora o Irã sempre tenha negado ter interesse em desenvolver um arsenal atômico, o Ocidente suspeitava que esse fosse o objetivo de seu programa nuclear, iniciado em 2006, e impunha sanções econômicas e militares severas sobre o país.
Segundo o chanceler francês, Laurent Fabius, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) deve endossar o acordo "em questão de dias".
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que segundo o acordo poderá inspecionar as instalações nucleares iranianas, disse que prevê um documento em parceria com o governo do país até 15 de dezembro.
Segundo o chanceler iraniano, Mohammed Javad Zarif, que classificou o acordo como um "momento histórico", disse que o pacto "não é compreensivo para todas as partes mas é a melhor conquista possível".
A chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse que o acordo representa "um sinal de esperança para todo o mundo".
"É uma decisão que pode abrir o caminho para um novo capítulo nas relações internacionais", afirmou Mogherini em Viena.
Por sua vez, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, criticou o acordo por considerar que ele não impede o Irã de construir a bomba nuclear, representando uma ameaça regional aos israelenses.
"O Irã receberá um grande prêmio, uma bonança de centenas de bilhões de dólares, o que lhe permitirá continuar a buscar sua agressão e seu terror na região e no mundo. Este é um péssimo erro de proporções históricas", disse Netanyahu em Jerusalém.
