Na França, morador diz não estar surpreso com atentado em usina
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Saint-Quentin-Fallavier, onde aconteceu o ataque terrorista que deixou uma pessoa morta e duas feridas nesta sexta-feira (26), era, até agora, apenas uma pequena cidade do sudeste da França com 6.000 habitantes.
Algumas pessoas, como Jonhatan G., 33, que trabalha perto da usina de gás o atentado ocorreu, dizem não estar surpresas com o ataque.
"A gente sabia que existia uma ameaça representada pela aquela minoria radicalista. A mídia havia informado sobre as viagens para a Síria de várias famílias originárias do Nord-Isère [departamento onde fica Saint-Quentin-Fallavier]", comentou Jonhatan.
"O que assustou, e ainda assusta as pessoas, é a maneira como a vítima foi assassinada", adicionou. Uma cabeça foi encontrada perto do portão da fábrica, junto a bandeiras com palavras em árabe.
Idris Ben Kheder, 17, que mora em Grenay, a dez minutos da usina, diz que não se sente assustado por causa do ataque.
De acordo com ele, o pior é que o autor do atentado tentou passar uma imagem de "defensor do Islã" -sobre a cabeça encontrada, havia uma bandeira com inscrições em árabe.
"Ele sujou a religião, pois matou um inocente. E bem durante o mês sagrado para muçulmanos", adicionou Ben Kheder, que é muçulmana e mesmo está cumprindo os rituais do Ramadã.
Jonathan G. diz não ter visto o ataque. "O barulho das sirenes das ambulâncias e dos carros de polícia me assustou. Descobri o que era graças às notícias na internet".
O que o pessoal da prefeitura ouviu não foram sirenes, mas barulho da explosão, da deflagração, pois o prédio fica a cerca de 500 metros do local, afirmou a secretária da Prefeitura de Saint-Quentin-Fallavier, que não quis se identificar.
Com 6.000 habitantes, Saint-Quentin-Fallavier é considerada como uma cidade tranquila, "sem problemas".
"É uma cidade como outras na França, uma mistura de classes populares e classes mais altas. Ela é reconhecida como uma das maiores plataformas de logística do país", explicou Jonhatan.
"Hoje é um dia triste, as escolas do arredor decidiram cancelar as festas do fim do ano. Os franceses estão chocados, mas não esquecem as vítimas da Tunísia e do Kuait, concluiu.
