PM afasta 14 policiais suspeitos de ajudar a esconder corpo de Amarildo
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar do Rio de Janeiro afastou, na noite desta terça-feira (23), 14 agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) suspeitos de terem participado da ocultação do cadáver do pedreiro Amarildo Souza, 43, que está desaparecido desde julho de 2013.
A medida foi tomada após o comandante-geral da Polícia Militar, Alberto Pinheiro Neto, determinar a abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar a possível participação de militares do batalhão no caso.
Ainda segundo a PM, os militares do Bope serão realocados para funções administrativas até que o caso seja esclarecido. O fato ocorre após a divulgação de um vídeo que mostra uma viatura da tropa de elite da PM transportando um volume que, segundo o Ministério Público, poderia ser o corpo de Amarildo.
Amarildo desapareceu após ter sido detido por PMs da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade da Rocinha, maior favela da cidade, na zona sul.
No processo que apura responsabilidade dos policiais militares da UPP da Rocinha, consta a informação de que o corpo de Amarildo foi envolto em uma capa de moto com fitas adesivas. A suspeita vinha sendo investigada desde 2013.
Em 2013, depoimentos prestados ao Ministério Público estadual levaram promotores e policiais a suspeitar da atuação do Bope no desaparecimento de Amarildo, registrado em 14 de julho daquele ano.
Naquele dia, um domingo por volta das 23h, quatro carros do Bope foram chamados à Rocinha pelo então comandante da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), o major Edson Santos. Segundo justificativa do major, a favela corria o risco de sofrer uma invasão de traficantes. Amarildo desapareceu por volta das 19h.
A apuração do Ministério Público não confirmou o risco de invasão naquele dia. Os promotores suspeitam que, após ser enrolado em uma capa preta, o corpo do ajudante de pedreiro possa ter sido colocado em um carro do Bope.
DESAPARECIMENTO
O ajudante de pedreiro Amarildo de Souza desapareceu após ter sido detido por policiais militares na porta de sua casa, na favela da Rocinha, e levado à UPP da comunidade. Ele teria sido submetido à tortura e morrido na unidade policial. O corpo do pedreiro nunca foi encontrado.
Seu desaparecimento tornou-se símbolo de casos de abuso de autoridade, violência policial e deu origem a diversos protestos. O inquérito instaurado pela PM apontou o envolvimento de 29 policiais militares no crime. Entre eles está o major Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha.
