Prisão temporária de 4 presos da 14ª fase da Lava Jato vence nesta terça

A prisão temporária dos quatro investigados da 14ª fase da Operação Lava Jato vence nesta terça-feira (23). O grupo está detido na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba desde sexta-feira (19), quando a atual fase foi deflagrada. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.
O pedido de prorrogação pode ser feito pela PF ou pelo Ministério Público Federal (MPF) e depende da autorização da Justiça. Caso nenhum dos órgãos faça o pedido, os presos serão soltos. Os investigados que cumprem prisão temporária são: Alexandrino de Salles e Christina Maria da Silva Jorge, ligados à Odebrecht, além de Antônio Pedro Campelo de Souza e Flávio Lucio Magalhães, ligados à Andrade Gutierrez. Os depoimentos foram fechados.
Na saída, o advogado Guilherme San Juan Araújo, que representa Flávio Lúcio Magalhães, afirmou que o cliente nunca foi funcionário da empreiteira. "Ele prestou todas as declarações, explicou o que tinha que explicar, espero que agora fique esclarecido”, afirmou.
Já o advogado Gabriel Alencar Machado, que representa Christina Maria da Silva Jorge, afirmou que a cliente respondeu a todos os questionamentos, em um depoimento que durou cerca de meia hora. Ele não forneceu detalhes do que foi abordado pela PF. A defesa de Antônio Pedro Campelo de Souza saiu do depoimento sem falar com a imprensa. Por fim, o advogado de Alexandrino de Salles disse que o cliente apenas repetiu o que já tinha dito em depoimentos anteriores.
Esta fase da operação, chamada de 'Erga Omnes', tem como alvo as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez e investiga crimes de formação de cartel, fraude a licitações, corrupção, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro, entre outros.
O nome Erga Omnes trata-se de uma expressão muito usada no direito, que afirma que a lei deve atingir todos de modo igual Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as empresas tinham esquema "sofisticado" de corrupção ligada à Petrobras, envolvendo pagamento de propina a diretores da estatal por meio de contas bancárias secretas no exterior. O delegado Igor Romário de Paula afirmou que há indícios bem concretos, com documentos, de que os presidentes das empresas tinham "domínio completo" de atos que levaram à formação de cartel e fraude em licitações, além de pagamento de propinas. Outros oito investigados da atual fase da operação foram presos preventivamente, ou seja, não têm prazo determinado para deixar a prisão. Entre eles estão o presidente da construtoraAndrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, e o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. IndiciamentoO delegado Igor Romário de Paula disse ainda que os 12 presos nesta fase da operação serão indiciados logo após serem ouvidos pelos demais delegados.
"Os procedimentos podem se prolongar até a semana que vem, mas serão todos indiciados", afimou o delegado. Ao jornal "O Globo", Igor Romário de Paula disse que já existe muito material que incrimina os suspeitos. "Tem provas suficientes para justificar as prisões", acrescentou o delegado. Confira a lista dos presos desta fase, segundo as investigações: - Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, prisão preventiva- João Antônio Bernardi, ex-funcionário da Odebrecht, prisão preventiva- Márcio Faria da Silva, diretor da Odebrecht, prisão preventiva- Rogério Santos de Araújo, diretor da Odebrecht, prisão preventiva- César Ramos Rocha, diretor da Odebrecht, prisão preventiva- Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, prisão preventiva- Elton Negrão, diretor da Andrade Gutierrez, prisão preventiva- Paulo Roberto Dalmazzo, ex-diretor da Odebrecht, prisão preventiva- Christina Maria da Silva Jorge, sócia da Hayley, prisão temporária- Alexandrino de Salles, ex-diretor da Odebrecht, prisão temporária- Antônio Pedro Campelo de Souza, ex-diretor da Andrade Gutierrez, prisão temporária- Flávio Lucio Magalhães, operador, prisão temporária O que dizem as empresasEm nota, a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) confirmou a operação da Polícia Federal em seus escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Da mesma forma, alguns mandados de prisão e condução coercitiva foram emitidos. "Como é de conhecimento público, a CNO entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações", diz a nota.
Também por meio de nota, a construtora Andrade Gutierrez informou que está acompanhando o andamento da 14ª fase da Operação Lava Jato e prestando todo o apoio necessário aos seus executivos nesse momento. "A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível. A Andrade Gutierrez reitera, como vem fazendo desde o início das investigações, que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Operação Lava Jato, e espera poder esclarecer todas os questionamentos da Justiça o quanto antes", diz a nota.
