Ataque contra negros em Charleston foi ato terrorista, diz especialista
GIULIANA VALLONE
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Assim que surgiram as primeiras notícias sobre o massacre em uma igreja de Charleston (Carolina do Sul), nos EUA, teve início na imprensa americana -e nas redes sociais- um debate sobre como classificar o crime: a morte de nove negros, assassinados por um atirador branco, seria, ou não, um ato terrorista?
Para Fredrick Harris, diretor do centro de estudos sobre política e sociedade afro-americana da Universidade Columbia, a chacina é, sem dúvida, um ato terrorista.
"Quando falamos de questões raciais nos Estados Unidos, há uma negação coletiva sobre a história e sobre atos de discriminação. É, sim, um ato de terrorismo", disse à reportagem.
Autor do livro "Beyond Discrimination: Racial Discrimination in a Post-Racist Era" (Além da discriminação: a discriminação racial na era pós-racista, de 2013), Harris afirma que o crime em Charleston é resultado do legado racista dos EUA e não pode ser visto como um ato isolado do cenário político do país.
"Quando brancos se voltam contra negros, isso é visto como um ato individual, como se a ideologia do racismo e a política americana não tivessem nada a ver com a decisão de um homem entrar em uma igreja e matar negros na Carolina do Sul", afirma.
"É um ato de um indivíduo, mas parece ter sido influenciado por esse pensamento", acredita Harris.
