Oposição reclama de postura do Itamaraty; pasta nega omissão
FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Deputados da oposição se reuniram na noite desta quinta-feira (18) com o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) para cobrar uma reação do governo Dilma ao ocorrido na viagem de uma comitiva de senadores à Venezuela. Os congressistas criticaram a postura do Itamaraty no episódio - a pasta nega omissão.
Na tarde desta quinta (18), o grupo de senadores em viagem a Caracas ficou parado na saída do aeroporto por causa de um bloqueio policial e retornou pouco depois ao local, após o veículo onde estavam ter sido alvo de manifestantes favoráveis ao governo de Nicolás Maduro. A comitiva já tomou o voo de volta para o Brasil.
"Nenhum diplomata os acompanhou. Eles estavam absolutamente à sua sorte, nas mãos dos vândalos que tentaram depredar [o carro] e atingi-los em Caracas", disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), após encontro com o ministro.
"O embaixador [brasileiro na Venezuela, Ruy Pereira] os recebeu no aeroporto e se deslocou para esperá-los no hotel. Neste trecho, a van dos senadores foi apedrejada, cercada por 200 manifestantes ligados ao presidente Maduro, e automaticamente teve que voltar ao aeroporto", disse o tucano Nilson Leitão (MT).
O Itamaraty afirma que foi prestada a assistência de praxe: o embaixador recebeu o grupo no aeroporto e estava em carro à frente da van dos senadores no deslocamento para Caracas. No veículo onde estavam os senadores havia ainda um diplomata da embaixada.
Segundo o ministério, o protocolo diplomático foi seguido e não era esperado que o embaixador acompanhasse a visita ao presídio. A atitude poderia indicar interferência do governo brasileiro em assuntos internos, afirmam diplomatas, e a agenda foi organizada diretamente pelos senadores da oposição.
O episódio, no entanto, gerou reação dos congressistas. Deputados prometem convocar o chanceler brasileiro e o embaixador em Caracas a prestar esclarecimentos no Congresso.
"Esperamos que o Itamaraty tome a medida diplomática pertinente, que é chamar o embaixador brasileiro de volta a Brasília, como sinal de indignação do Estado brasileiro em relação ao ocorrido", disse o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE).
