Desistência de ministro abre caminho a governador na sucessão de Cristina
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pôs fim à disputa dentro de seu partido pela escolha do candidato que deverá representar os governistas na eleição presidencial de outubro deste ano.
Nesta quinta (18), o ministro dos Transportes, Florencio Randazzo, anunciou que desistiu de concorrer, deixando o caminho livre para Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires.
O ministro disse que desistiu atendendo a pedido de Cristina. Os dois se reuniram na tarde desta quarta (17), e a presidente teria sugerido a Randazzo que se candidatasse a governador de Buenos Aires.
Randazzo saiu da disputa, mas se recusou a concorrer na província. Por uma rede social, negou que tenha se rebelado contra a presidente.
"Que ninguém se confunda. Eu apoio todas as decisões que CFK toma. Ela conduz este projeto do qual sou e seguirei sendo parte", escreveu.
A desistência de Randazzo ocorre após Scioli ter anunciado como seu candidato a vice o kirchnerista Carlos Zannini. A escolha também teria sido costurada por Cristina.
Funcionário da Casa Rosada, Zannini acompanha a família K na política desde que Néstor Kirchner se elegeu pela primeira vez, como prefeito de Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz, e seguiu no governo durante os mandatos dos dois presidentes na Presidência.
A decisão foi interpretada como um sinal de trégua de Scioli às fileiras kirchneristas.
O governador vinha construindo uma imagem de candidato governista com certa dose de crítica à política da presidente, o que despertou desconfiança entre os aliados de Cristina.
A saída de Randazzo, preferido pelos kirchneristas, deverá reunir os governistas em torno de Scioli.
Em e-mail enviado a Cristina na noite de quarta (17), informando sua decisão, o ministro voltou a demonstrar desconfiança com o governador.
"Dado que em forma manifesta [minha candidatura a presidente] não é sua vontade e é você quem conduz este projeto, eu aceito com tristeza, mas sem rancor, não competir, e celebro a decisão de que seja Zannini que se constitua na garantia de que nada conquistado se perderá", escreveu.
Até sábado, último dia para informar as candidaturas à Justiça eleitoral, os governistas deverão decidir ainda quem serão os candidatos à Câmara dos Deputados.
Há expectativa de que o filho de Cristina, Máximo Kirchner, integre uma das listas, o que tende a aumentar a influência da presidente na próxima gestão.
A especulação é que a presidente tente uma vaga no Parlamento do Mercosul, que na Argentina é formado por voto popular.
