Sem resposta, senadores brasileiros devem ir a Caracas em avião comercial
GABRIELA GUERREIRO E MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira (16) que a comissão de senadores que viajará à Venezuela deverá usar um avião comercial para chegar ao país na próxima quinta (18).
A decisão foi tomada pelo grupo, chefiado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), diante da demora da autorização do país para o pouso de um avião da Força Aérea Brasileira, que havia sido pedido ao Ministério da Defesa.
Pouco depois da entrevista de Renan, Aécio disse que os senadores avaliam o caso de fretar um avião particular e que eles vão de qualquer jeito ao país, onde pretendem visitar membros da oposição ao presidente Nicolás Maduro.
Para o presidente do Senado, o silêncio das autoridades venezuelanas não deixa de ser entendido como uma negativa à entrada dos parlamentares de oposição brasileiros.
"Não houve uma negativa formal, é evidente que a falta de resposta não deixa de ser entendida como uma negativa. Mas é um rumor desnecessário porque a disposição da comissão é ir num avião de carreira [comercial]."
Aécio considera que a demora para a autorização pode ser interpretada como um veto de Maduro. "Passo a interpretar que não há uma vontade, na minha interpretação, de que estejamos lá. Mas há outras alternativas."
O pedido de avião da FAB foi feito na semana passada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), ao ministro da Defesa, Jacques Wagner (PT), que o transmitiu a Caracas.
Nesta terça (16), Wagner negou que o pedido tenha sido indeferido pela Venezuela e disse não ter poderes para convencer o governo do país a aceitar o pouso da aeronave militar brasileira.
"O embaixador do Brasil na Venezuela sabe, já falou, evidentemente que o governo da Venezuela é soberano para isso. O adido militar já foi falar com a outra parte. Agora, eles [Venezuela] é que têm emitir a autorização", disse.
ACUSAÇÕES
Diante da demora, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos principais defensores de uma posição mais dura da presidente Dilma Rousseff sobre a Venezuela, acusou o país na segunda (15) de negar o pouso do avião.
Ele disse que pedirá ao Senado que corte relações com a Venezuela e que o país seja excluído do Mercosul caso não autorize o pouso do avião da FAB com membros da oposição.
Os opositores criticam Maduro, ao contrário do governo, que mantém uma relação cordial com o país. Nos bastidores, senadores acusaram Wagner de trabalhar contra a ida de grupo, já que o PT é aliado do presidente venezuelano.
"Isso não é verdade", desconversou o ministro, após reunião com Renan Calheiros no Senado sobre o caso.
Renan também disse não acreditar na acusação. "Durante o processo, ele trabalhou para que houvesse um acordo com relação a essa visita, o requerimento foi aprovado, portanto não há nada fora do script ou do regimento".
Além de defender a libertação dos presos oposicionistas ao regime de Maduro, os senadores brasileiros vão pedir que a Venezuela marque a data para realizar eleições para a escolha do novo Parlamento, previstas para este ano.
Aécio Neves disse que a viagem é "política e humanística", com o objetivo de demonstrar solidariedade do Congresso aos presos políticos, alguns em greve de fome.
"Vamos fazer coro a várias nações democráticas e lideranças de vários países do mundo já que o governo brasileiro tem sido absolutamente omisso nessa questão e essa omissão tem, de certa forma, estimulado a escalada autoritária".
Além de Aécio, Aloysio Nunes e Caiado, deverão ir a Caracas Romero Jucá (PMDB-RR), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Fernando Bezerra (PSB-PE).
