Moradores dos Jardins fazem ofensiva para impedir comércios na região
FELIPE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de moradores dos Jardins, área nobre da zona oeste de São Paulo, montou uma ofensiva contra a lei de zoneamento, que prevê a implantação de comércios e corredores de ônibus na região.
O projeto que tramita na Câmara Municipal prevê que o bairro se torne uma Zmis (zonas mistas de interesse social), o que permitiria esses tipos de empreendimentos, hoje proibidos.
Nesta terça-feira (16), a associação Ame Jardins reúne seu conselho diretor para definir as próximas estratégias para manter a área como uma região exclusivamente residencial. Para a associação, o ponto mais "preocupante" do projeto é a implantação das zonas de comércio, que podem levar a usos incompatíveis e abusivos.
O projeto, proposto no dia 2 de junho pelo prefeito Fernando Haddad (PT), ditará os usos permitidos para cada quarteirão da cidade. Estão previstas 20 áreas Zmis, áreas com moradia popular que ganharão estímulo a comércio e serviços, com o objetivo de gerar empregos.
Em bairros nobres, como Morumbi e Jardins, a lei também prevê regiões para comércio. Associações de moradores são contra, dizendo que a mudança pode acabar com a tranquilidade desses lugares.
O presidente da associação Ame Jardins, Fernando José da Costa, disse que o comércio também pode causar problemas ambientais na região. "O comércio quando exerce sua atividade em uma zona residencial não priva pelo meio ambiente. Ele não zela pela arborização e retira árvores para implantar vitrines e ampliar vagas de estacionamento", disse.
A intenção é tentar sensibilizar os vereadores sobre os riscos de descaracterização da região e para o meio ambiente, caso a proposta seja aprovada. Os moradores alegam que a lei pode transformar a região em uma nova Vila Madalena, onde bares com grande movimento incomodam os moradores
O publicitário Nizan Guanaes, que mora nos Jardins e já se manifestou contra o novo zoneamento, também participa do encontro.
