Comissão liderada por Aécio viaja à Venezuela por opositores presos
GABRIELA GUERREIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em um gesto político, uma comissão de senadores brasileiros irá à Venezuela nesta quinta-feira (18) para reforçar a campanha pela libertação de opositores ao governo de Nicolás Maduro presos no país.
Liderados pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), os congressistas planejam se reunir com oposicionistas e seus familiares.
Aécio viaja acompanhado do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e de outros congressistas, alguns da base de apoio da presidente Dilma Rousseff.
Segundo Ferreira, os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Sérgio Petecão (PSD-AC) manifestaram a intenção de participar da comitiva. Ambos são de partidos aliados do governo federal.
Além de defender a libertação de opositores de Maduro, os senadores brasileiros vão pedir que a Venezuela marque a data para realizar eleições diretas para a escolha do seu novo presidente.
SOLIDARIEDADE OU INTROMISSÃO?
Aécio disse que a viagem é "política e humanística", com o objetivo de demonstrar solidariedade do Congresso brasileiro aos presos políticos, alguns em greve de fome. Ele afirmou que não considera a visita uma "intromissão" do Legislativo do Brasil no país vizinho.
"É hora de fortalecermos a democracia, e a democracia pressupõe respeito ao contraditório. Nós estaremos, na verdade, suprindo a gravíssima omissão do governo brasileiro em relação a essa questão", disse o tucano.
"Não há mais espaço para presos políticos, nem na nossa região nem em qualquer outra parte do mundo", afirmou o senador.
Na sexta (12), Dilma se reuniu com o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello.
Cabello fazia parte de uma comitiva venezuelana que ficou no país por cinco dias e visitou empresas que pertencem ao grupo J&F, dona do frigorífico JBS, e a Brainfarma, da farmacêutica Hypermarcas, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em abril, a presidente manifestou-se a favor da libertação dos opositores ao chavismo. "Nós e o Brasil temos uma posição clara em relação ao direito de manifestação, à livre expressão. Nós não acreditamos que a oposição deva ser presa, a não ser que tenha cometido um delito", afirmou.
Na ocasião, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, negou que o governo tivesse mudado de postura em relação à repressão aos opositores venezuelanos e disse que o Brasil estava empenhado em mediar a crise na Venezuela por meio da Unasul.
O grupo de senadores brasileiros deve viajar em uma avião cedido pelo Ministério da Defesa brasileiro, que precisará de autorização do governo da Venezuela para pousar no país -por se tratar de uma aeronave oficial.
Se o pedido for recusado, Aécio disse que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve viabilizar a viagem com recursos da Casa.
PRESOS POLÍTICOS
Há pelo menos três opositores presos na Venezuela: o líder do partido Vontade Popular, Leopoldo López, o ex-prefeito de San Cristóbal Daniel Ceballos, do mesmo partido, e o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma.
Ceballos está preso desde março de 2014, quando foi acusado pelo governo de incitação à violência nos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que tiveram início em San Cristóbal, cidade da qual era prefeito.
Enquanto Ledezma está em prisão domiciliar, López e Ceballos seguem detidos há mais de um ano sob a acusação de instigar protestos que resultaram em 43 mortos no início de 2014.
López está em greve de fome há mais de 18 dias. Ceballos encerrou o mesmo protesto depois de 20 dias sem se alimentar.
López e Ceballos são apoiados por ONGs, governos e mais de cem ex-chefes de Estado e de governo, que pediram ao papa Francisco que intercedesse junto a Maduro em favor dos presos.
