Disputa em 3º colégio eleitoral da Argentina é teste para opositor
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O resultado indefinido da eleição para governador na província de Santa Fé, terceiro maior colégio eleitoral da Argentina, coloca em dúvida a força da candidatura do opositor Maurício Macri (PRO), chefe do governo de Buenos Aires, na disputa pela Presidência do país.
Encerrada na noite deste domingo (14), a eleição de Santa Fé tem dois candidatos da oposição e um governista embolados com cerca de 30% dos votos cada um. Não há segundo turno.
Cerca de 5% das seções eleitorais (ou 100 mil votos) foram desconsideradas na contagem inicial por falhas no preenchimento (feito à mão) das atas de votação feitas pelos responsáveis pela apuração.
Em Santa Fé, como na maior parte da Argentina (à exceção da cidade de Buenos Aires), a contagem dos votos em papel é feita à mão, com a observação de fiscais de cada partido. O resultado é anotado em uma ata de votação e enviado por fax ao tribunal eleitoral, que consolida as informações de todas as seções.
A autoridade eleitoral informou nesta segunda (15) que as atas enviadas por 347 seções foram desconsideradas, pois ou estavam ilegíveis ou apresentavam falhas no preenchimento. Com o resultado apertado, esses votos passaram a ser alvo de disputa.
Neste momento, a eleição indica como vitorioso ao cargo de governador o socialista Miguel Lifschitz, com 30,69% dos votos. Logo atrás dele estão o oposicionista Miguel Del Sel (PRO), com 30,58%, e o governista Omar Perotti (Frente para a Vitória), com 29,25%. Entre o primeiro e o terceiro colocados há uma diferença de pouco mais de 26 mil votos.
O placar final será decidido em uma recontagem que começa na próxima quarta-feira (17).
Se confirmado, o resultado é um baque para a candidatura de Macri, que concorrerá à Presidência do país em outubro.
O candidato do seu partido era considerado o favorito e, na noite deste domingo (14), ele e Macri chegaram a declarar vitória.
Lifschitz é o nome do atual governador Antonio Bonfatti. Sua vitória indica que o eleitor argentino, pelo menos o de Santa Fé, não comprou o discurso de mudança defendido por Macri.
KIRCHNERISMO
Os votos obtidos pelo candidato governista Omar Perotti, por sua vez, sugerem que o partido da presidente Cristina Kirchner tem força nas urnas.
Segundo o analista do Eurasia Group, Daniel Kerner, aliados de Cristina demonstraram capacidade de reunir votos nas províncias de Salta (onde o FpV venceu), em Chaco (cujas primárias sugerem vitória do governo) e em Mendoza (onde os governistas obtiveram 42% dos votos nas primárias).
"O fato de o FpV ter ido tão bem nesta eleição é relevante", afirmou Kerner em relatório divulgado nesta segunda (15). A consultoria prevê a vitória do candidato governista Daniel Scioli (FpV) nas eleições presidenciais.
O diretor-executivo da ONG Poder Ciudadano, Pablo Secchi, enviou observadores para Santa Fé. Problemas na contagem dos votos nas primárias, em abril, quando também foram desconsiderados cerca de 150 mil votos, colocaram em alerta a opinião pública.
"Em princípio, não notamos que tenha havido uma má vontade de alguém ou um intuito de mudar os votos dos cidadãos", afirmou Secchi. "O que acontece é que o resultado muito apertado da eleição fez saltar pequenos detalhes que podem resultar em um grande problema para Santa Fé".
"Com uma eleição tão disputada, é importante que o tribunal eleitoral tome o tempo necessário para dar o resultado final", acrescentou.
