Político chavista suspeito de laço com tráfico encontra diplomata dos EUA
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Envolvido numa polêmica por supostos laços com o narcotráfico internacional, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e um dos homens mais poderosos do país, o deputado chavista Diosdado Cabello se reuniu no Haiti com um alto diplomata americano.
O encontro entre Cabello e o assessor especial do Departamento de Estado Thomas Shannon, ocorrido sem qualquer anúncio, ocorreu na tarde de sábado, segundo a mídia estatal venezuelana.
Cabello disse que a reunião foi parte dos esforços para "normalizar relações diplomáticas dentro do respeito da legislação internacional, da soberania e da autodeterminação dos povos".
Acompanhado da chanceler, Delcy Rodriguez, o chefe do Legislativo venezuelano afirmou que a conversa com Shannon representa um "passo importante para o restabelecimento pleno das relações entre ambos os países", que não trocam embaixadores desde 2010.
O encontro sucedeu visita de Diosdado ao Brasil, na qual se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula, entre outros.
Capitão do Exército e tido como um dos homens mais próximos do então presidente Hugo Chávez (1999-2013), Cabello foi acusado por um ex-guarda-costas de comandar um cartel de tráfico de cocaína dentro das Forças Armadas venezuelanas.
A denúncia foi publicada em janeiro pelo jornal espanhol "ABC". O ex-segurança vive hoje sob proteção das autoridades americanas.
No mês passado, o jornal "The Wall Street Journal" revelou que a Justiça dos EUA já investiga supostos vínculos de Cabello e outros altos funcionários de Caracas com o narcotráfico.
A denúncia levou a oposição venezuelana a cobrar que Cabello seja investigado também pela Justiça nacional.
Cabello nega as acusações e acusa os EUA de tentarem acabar com o governo da Venezuela, como fizeram em 2002, quando apoiaram um mal sucedido golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez.
Tensões entre Caracas e Washington atingirem novo pico em março, após o presidente Barack Obama assinar ordem executiva que incluiu a Venezuela na lista dos países considerados "ameaça à segurança nacional" dos EUA. A medida também impôs sanções a sete autoridades venezuelanas de médio escalão.
