Os efeitos no coração quando estamos apaixonados
Sentir o coração batendo mais forte não é exagero de quem está apaixonado. O funcionamento do corpo humano passa por alterações fisiológicas e emite sinais quando é contagiado pela paixão ou amor. No início do relacionamento a situação até pode ser de estresse, mas se o sentimento alcançar estabilidade tem probabilidades de promover saúde em longo prazo, conforme apontam especialistas.
O cardiologista do Hospital da Providência Dr. Alexandre Guerra Lopes, explica que o estresse de início de relacionamento não é aquele apontado como prejudicial à saúde. É um estado de adaptação do corpo humano que ocorre devido a liberação de algumas substâncias quando se está apaixonado. Por causa dessa resposta do organismo, a tendência é que o coração dos envolvidos bata, sim, mais forte e mais rápido.
“Nesses casos é a noradrenalina que provoca o estresse e vai preparar você para uma situação nova. Há, normalmente, aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca e da força de contração cardíacas”, explica o médico. Aquela sensação de bem estar ao lado da pessoa amada também é reflexo de alterações do organismo. De acordo com o cardiologista, isso acontece por conta da liberação de hormônios e neurotransmissores, como a serotonina, e em longo prazo pode ser sinônimo de saúde para o coração.
“A sensação de prazer e bem estar está associado à diminuição de doenças cardiovasculares. Apesar de haver alterações fisiológicas no início do relacionamento, em longo prazo a sensação de bem estar faz uma reatividade menor da pressão arterial”, aponta. A boa convivência com o parceiro amoroso também promove estabilidade, o que é benéfico para o organismo, de acordo com Dr. Gerra. “A convivência em harmonia com outra pessoa faz com que o organismo esteja mais estável nos níveis de serotonina e a sensação de felicidade até diminui eventos cardiovasculares”, destaca.
O cardiologista ainda aponta que ao longo do tempo esses efeitos são ainda mais notados. “É mais evidente e observado estatisticamente que após os 60 anos, ter o companheiro, um cônjuge, uma relação fixa, diminui os eventos cardiovasculares” aponta. Sobre relações esporádicas e extraconjugais, o cardiologista ressalta que a instabilidade pode afetar o organismo e estar associada a maior índice de infarto e acidentes vasculares cerebrais.
“Quando é uma situação que continuamente muda o dia a dia do indivíduo pode haver probabilidade de mais acidentes isquêmicos como infarto do miocárdio e AVC”, aponta o médico. De uma forma geral, estabelecer uma relação amorosa e duradoura só é benéfico. O cardiologista até enumera os pontos positivos: A sobrevida pode aumentar, um companheiro pode acompanhar o outro em atitudes saudáveis, os indivíduos comprometidos tendem a ter menos excessos no uso de bebidas alcoólicas, tabaco e nas refeições feitas fora de casa, por exemplo. “E a sensação de bem estar através dos neurotransmissores é um efeito protetor cardiovascular importante”, finaliza.
