Itamaraty lamenta protesto turco por moção sobre genocídio armênio
BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo brasileiro lamentou a decisão da Turquia de chamar para consultas o embaixador do Brasil em Ancara, em sinal de contrariedade ao reconhecimento do genocídio armênio pelo Senado, na última terça (2).
A moção, proposta pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presta homenagem às vítimas do massacre, que completou cem anos em 24 de abril, e "ressalta que nenhum genocídio deve ser esquecido para que não volte a acontecer".
Em nota divulgada nesta terça-feira (9), o Itamaraty também criticou o comunicado da Chancelaria turca, dizendo que a Câmara Alta do Legislativo brasileiro "distorce a realidade" ao aprovar o voto de solidariedade.
"O Senado agiu dentro de suas prerrogativas constitucionais e em consonância com o princípio da independência de Poderes consagrada pela Constituição brasileira".
O Ministério das Relações Exteriores explicou que o embaixador da Turquia no Brasil, Hüseyin Diriöz, foi recebido pelo secretário-geral do Itamaraty, Sergio Danese, que deu explicações sobre a moção aprovada pelo Senado.
Diriöz também recebeu detalhes sobre o fato de o Estado brasileiro ainda não reconhecer o genocídio, assim como foi feito com o embaixador da Armênia no Brasil, Ashot Galoyan.
O governo brasileiro disse esperar que as relações com a Turquia possam voltar à normalidade mesmo após o voto de solidariedade ao genocídio armênio.
GENOCÍDIO
Tradicionalmente, a Turquia demonstra seu repúdio aos Estados e entidades que qualificam de genocídio o massacre de mais de 1 milhão de armênios pelo Império Turco-Otomano em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial.
Para os turcos, a morte em série de armênios foi uma batalha dentro da Primeira Guerra que não teve o componente sectário para ser qualificado como um genocídio, assim como o Holocausto.
Dentre os países que qualificam o massacre militar turco-otomano contra os armênios de genocídio, estão Alemanha, Argentina, Canadá, França, Grécia, Itália, Rússia, Uruguai e Venezuela.
No Brasil, a Câmara de Vereadores do Rio e as Assembleias de Goiás e Ceará já reconheceram o genocídio. O Estado de São Paulo, que tem a maior comunidade armênia do país, integrou a lembrança da matança ao calendário oficial.
