Ex-líder espanhol admite ficar fora da defesa de opositor venezuelano
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Em visita a Caracas para apoiar opositores presos, o ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe González acatou nesta segunda-feira (8) a decisão da Justiça que o impede de se juntar à defesa do líder do partido Voluntad Popular, Leopoldo López, detido há mais de um ano por instigar violentos protestos.
"Aceito a jurisdição venezuelana e é em base a ela que eu havia me oferecido para participar [do processo] como assistente técnico. Acho que é um direito da defesa, mas respeito e acato a decisão do Tribunal Supremo de Justiça [STJ]", disse González.
No domingo (7), a presidente do STJ, Gladys Gutiérrez, afirmou que González, embora seja advogado de profissão, não poderia defender López por não estar habilitado a exercer advocacia na Venezuela.
O ex-premiê afirmou que pretende assistir como público visitante à próxima audiência de López num tribunal de Caracas, prevista para esta quarta-feira (10).
González, que comandou um governo socialista (1982-1996), mas é crítico do socialismo venezuelano, também disse esperar autorização das autoridades para visitar López no presídio militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas.
PRISÃO E GREVE DE FOME
Ícone da ala linha dura da oposição, López foi preso em meio aos protestos antigoverno que estremeceram a Venezuela no primeiro semestre de 2014. Confrontos entre policiais e manifestantes deixaram 43 mortos dos dois lados.
Outro político conhecido está preso sob a mesma acusação: o ex-prefeito de San Cristóbal Daniel Ceballos, do mesmo partido de López
Os dois opositores estão em greve de fome há duas semanas para exigir que o governo anuncie a data da eleição parlamentar do fim deste ano. Críticos temem que o governo cancele o pleito caso perceba que pode perder.
Além de González, dezenas de outros ex-chefes de Estado e de governo vêm apoiando a libertação de López, Ceballos e demais opositores presos.
O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso cogitou acompanhar González, mas acabou não integrando a comitiva. Na próxima semana, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), irá a Caracas em apoio à oposição venezuelana.
