Associação Mundial de Jornais pede fim da perseguição à imprensa turca
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias aprovou nesta semana uma moção pedindo ao governo da Turquia que não interfira na liberdade de imprensa e dê fim à perseguição aos meios de comunicação no país.
O texto, assinado por 70 membros da entidade, foi apresentado depois que o Grupo Zaman, dono do jornal homônimo, pediu apoio contra a repressão imposta pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, que está no poder desde 2003.
"Devido às crescentes práticas autoritárias do governo, a liberdade de expressão vem sofrendo severamente na Turquia. Hoje, jornalistas famosos continuam atrás das grades por fazer jornalismo", diz o documento.
O editor-chefe do jornal "Zaman", Ekrem Dumanli, ficou seis dias preso em dezembro, acusado de ser membro de um grupo terrorista que, segundo o governo, teria sido responsável por revelar casos de corrupção entre aliados de Erdogan.
"Fui acusado de ser o fundador e membro de uma organização terrorista, mas não houve terror, coerção, violência, armas ou ataques armados", disse, em vídeo publicado no YouTube em turco e com legendas em inglês.
"Os jornais e os jornalistas que viram alvo do governo são colocados em descrédito por campanhas, que criam uma imagem negativa ao descrevê-los como traidores, colaboradores e inimigos através de mentiras, calúnias e propaganda negativa."
Além da repressão aos jornalistas, as autoridades turcas chegaram a proibir o acesso ao microblog Twitter e ao site YouTube no país devido à publicação de acusações sobre tráfico de influência e pagamento de propina de governistas.
Segundo a imprensa local, pelo menos dez jornalistas continuam presos no país. A Turquia aparece na posição 149 entre 180 países no ranking de liberdade de imprensa da Repórteres sem Fronteiras. O Brasil está em 99º lugar.
