Ex-premiê espanhol tentará viajar a Caracas para visitar opositores presos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente de governo da Espanha Felipe González viajará nesta quinta-feira (4) a Bogotá, na Colômbia, com a intenção de entrar no fim de semana na vizinha Venezuela, onde planeja visitar os opositores presos Leopoldo López e Daniel Ceballos.
O espanhol é considerado persona non grata pelo governo de Nicolás Maduro por ter anunciado que participaria da defesa dos dois adversários políticos do mandatário chavista, que estão em greve de fome desde meados de maio.
A informação foi publicada nesta quarta (3) pela agência de notícias Associated Press e pelo jornal espanhol "El País". Segundo o porta-voz de González, Joaquín Tagar, o ex-chefe de governo decidirá na capital colombiana se seguirá para Caracas.
González, que inicialmente viajaria em meados de maio, adiou a ida ao país sul-americano porque a Justiça local postergou a primeira audiência do processo de Leopoldo López, acusado de incitação à violência nos protestos da oposição em 2014.
Apesar de viajar com passaporte diplomático, as autoridades venezuelanas disseram que não darão proteção ao ex-chefe de governo espanhol, apesar do pedido feito pela embaixada espanhola no país.
Aliados de Nicolás Maduro, como o defensor do povo, Tarek Saab, e a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, argumentam que a participação de González na defesa dos opositores não tem amparo na lei venezuelana.
O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso participa do grupo de defesa e se reuniu com González em São Paulo na semana passada, mas estará em um evento em Londres no fim de semana e não participará da visita, segundo sua assessoria.
GREVE DE FOME
Em outras ocasiões, o governo venezuelano impediu a visita dos ex-presidentes Andrés Pastrana (Colômbia), Sebastián Piñera (Chile) e Jorge Quiroga (Bolívia) a Leopoldo López, que está preso na cadeia militar de Ramo Verde.
Segundo sua mulher,Lilian Tintori, o dirigente do Vontade Popular mostra sinais de debilitação e perdeu cinco quilos desde 24 de maio, quando deu início à greve de fome contra a transferência de seu colega Daniel Ceballos a uma cadeia comum.
As más condições do presídio são apontadas pelos advogados de Ceballos como o motivo para sua debilitação ser maior que a de López. Há 12 dias sem comer, ele perdeu pelo menos dez quilos e precisou usar cadeira de rodas e máscara cirúrgica.
Além deles, também se somaram à greve de fome os opositores presos Alexander Tirado, Raúl Baduel e Deivis Oliveros, o deputado estadual de Carabobo Julio Rivas e outros 11 jovens.
Em nota, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos mostrou preocupação com as condições de prisão de Daniel Ceballos e pediu às autoridades venezuelanas que os detentos tenham direito a tratamento médico.
