Presidente do Burundi faz primeira aparição após tentativa de golpe
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, apareceu neste domingo na capital Bujumbura pela primeira vez desde a tentativa de golpe de Estado de quarta-feira, e as autoridades não descartam um adiamento das eleições previstas para o fim de maio.
Vestido com um terno azul, com um ar relaxado e sorridente, o líder conversou de forma breve com os jornalistas da imprensa nacional e internacional, sem se referir aos últimos acontecimentos políticos ocorridos em seu país, localizado na África e vizinho de Ruanda e Tanzânia.
O presidente pretende disputar um terceiro mandato nas urnas, fato que gerou semanas de protestos violentos pelo país.
Pouco depois da aparição de Nkurunziza, o conselheiro de comunicação da presidência, Willy Nyamitwe, disse que as autoridades não descartam adiar em alguns dias as eleições legislativas e presidenciais marcadas para o fim de maio.
"Ocorreu em 2005, ocorreu em 2010, por que não ocorreria em 2015 se a comissão (eleitoral) considerar que é possível adiar (as eleições) em dois ou três dias, ou em uma semana...", declarou.
O conselheiro também condenou os recentes ataques contra vários rádios privadas do país, durante a tentativa de golpe de Estado, embora os diretores destes meios de comunicação tenham acusado os seguidores do presidente de estar por trás destes ataques.
O presidente falou, por sua vez, das supostas ameaças do grupo islamita somali Al-Shabaab, vinculado à Al-Qaeda, que advertiu que atacaria o Burundi e outros Estados participantes na força militar da União Africana na Somália.
"Tomamos medidas contra o Al-Shabaab. Não levamos estas ameaças muito a sério", disse Nkurunziza.
O presidente conseguiu retornar na sexta-feira ao palácio presidencial, depois de ter ficado bloqueado na Tanzânia, onde estava na quarta-feira quando o general Godefroid Niyombare anunciou o golpe de Estado, um levante que terminou em fracasso.
No sábado, dezessete supostos golpistas compareceram ante a Justiça, presos por terem participado supostamente no golpe dirigido por Niyombare, que fugiu, segundo a polícia.
Em fevereiro, o general havia sido destituído por Nkurunziza de seu posto na liderança dos Serviços de Inteligência do Burundi, depois que desaconselhou o presidente a disputar um terceiro mandato.
