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Com greve, consulado brasileiro em Nova York só atende emergências

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GIULIANA VALLONE
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Os servidores do Itamaraty iniciaram nesta terça-feira (12) uma greve nos postos no Brasil e no exterior. Por causa disso, o Consulado do Brasil em Nova York, nos EUA, está aberto apenas para serviços emergenciais.
Também há paralisações na missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, e nos consulados na capital americana, Washington, em Atlanta (Geórgia), Houston (Texas) e Chicago (Illinois).
Em Nova York, o atendimento é feito por contratados locais, que recebem a documentação de brasileiros no serviço de passaportes. A emissão de documentos, porém, só é feita em casos de emergência.
Cerca de 30 servidores se reuniram no hall do prédio do consulado, em Manhattan, nesta terça, em decorrência da greve. Todos usavam broches com os dizeres: "Dê valor ao exterior."
A principal reivindicação da greve é a garantia do pagamento do auxílio-moradia, que, no último ano, chegou a ser atrasado em até três meses.
"O auxílio corresponde a cerca de 120% de nossos salários e, nesse momento, temos duas parcelas em atraso", afirmou à reportagem Helder Nozima, vice-cônsul do Brasil em NY.
"As pessoas estão pegando empréstimos, pedindo ajuda para a família, poupança, mas está difícil. Já esgotamos todas as nossas possibilidades", disse Alexey Van Der Brooke, funcionário do consulado.
Esta é a primeira greve dos funcionários do Itamaraty -diplomatas, oficiais de chancelaria e assistentes de chancelaria- desde 2012. A votação teve a participação de 328 dos 1.260 servidores afiliados, o que representa cerca de 10% do quadro total do ministério, com 43% apoiando a greve.
A greve seguirá até que o Itamaraty atenda à pauta, que vai desde a garantia do pagamento em dia do auxílio-moradia no exterior e a concessão de passaporte diplomático a assistentes de chancelaria até o reenquadramento dos subsídios de todos os funcionários -que, segundo o sindicato, estão defasados em relação às demais carreiras típicas de Estado.
Outra demanda é o estabelecimento de regras para os plantões consular e diplomático, que hoje não preveem compensação de horas.
O Itamaraty enfrenta uma séria crise orçamentária. Em janeiro, o ministério informou aos funcionários, por circular, que os recursos para aquele mês só cobririam os salários e obrigações trabalhistas dos contratados locais das embaixadas e apenas parte dos pagamentos pendentes de outros meses.
O Brasil também está com suas contribuições atrasadas em diversos organismos internacionais.
"Estão fazendo o arrocho fiscal em cima das nossas costas", disse Nozima.
O ministério chegou a pagar, em abril, as parcelas atrasadas do auxílio-moradia -valor que totalizou R$ 15 milhões, segundo o sindicato. No entanto, a parcela de abril, vencida no último dia 5, já não foi paga.
Nesta quarta (13), representantes do sindicato devem se reunir com o Ministério do Planejamento. Após o encontro, haverá nova assembleia para decidir sobre a continuidade da paralisação.

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