Operação na região da cracolândia tem tumulto e corre-corre; dois são feridos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ofensiva da prefeitura contra as barracas de usuários de drogas na região da cracolândia, no centro de São Paulo, teve registro de um tumulto no início da tarde desta quarta-feira (29). Houve corre-corre e ao menos duas pessoas ficaram feridas.
A confusão teve início por volta das 14h durante um desentendimento na frente de um bar da região. As circunstâncias ainda serão apuradas, mas alguns dependentes jogaram pedras e latinhas contra guardas civis metropolitanos, e policiais da Força Tática cercaram o local. Usuários disseram ter sido atingidos por gás de pimenta.
A operação da prefeitura teve início ainda pela manhã desta quarta (29), com o desmonte do conjunto de barracas montadas por usuários, que ficou conhecido como "favelinha". Segundo o prefeito Fernando Haddad (PT), a iniciativa visa combater o tráfico de drogas, que seria responsável por cerca de 30% das barracas do local.
Sem os abrigos, os usuários de drogas que costumam ficar concentrados entre a rua Helvetia e a alameda Cleveland, passaram a ficar espalhados, em grandes aglomerações, por várias vias da região, principalmente, na alameda Dino Bueno.
Segundo o prefeito, a ideia da ofensiva é convencer esses usuários a participarem do programa "De Braços Abertos", que oferece tratamento, hotel e trabalho aos usuários. Muitos viciados resistem a participar do programa por discordarem de regras impostas pela prefeitura, como horários a serem cumpridos.
PRAÇA
Com a remoção da "favelinha" na região da cracolândia, funcionários da prefeitura faziam iniciaram a remoção dos tapumes que cercavam uma praça, construída a poucos metros da praça Julio Prestes, que teve a abertura adiada por conta da concentração de usuários de drogas.
Em entrevista à Folha de S.Paulo realizada em março, a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, disse que a administração estava "segurando" a entrega do equipamento, que tem bancos de concreto e espaço para plantas, por causa do avanço do fluxo.
A secretária disse na ocasião, que a construção da praça é uma medida para tentar uma retomada pacífica e ordenada do local. "A ideia é fazer uma ocupação boa, para socializar, dar dignidade, com colocação de bancos para as pessoas se sentarem e de sombras", disse.
