Justiça obriga Sabesp a informar "volume negativo" do Cantareira
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo determinou em caráter liminar que a Sabesp informe o volume do sistema Cantareira como "volume negativo". A decisão acolhe pedido de uma ação civil pública conduzida pelo Ministério Público.
Desde junho de 2014, com a crise hídrica no Estado de São Paulo, o sistema Cantareira opera em seu volume morto, usando a água que fica abaixo dos tubos de captação da Sabesp.
Essa porção de água, que tem que ser bombeada, teve que ser usada pela primeira vez na história. Para o Ministério público, o fato do reservatório ter chegado ao nível zero de seu volume útil e ter começado a usar o volume morto pressupõe que a Sabesp está usando um "volume negativo".
Na visão do Ministério Público, mostrar essa porção de água como positiva poderia induzir a população paulista de que o maior reservatório da Grande São Paulo está em condições melhores do que as reais. A tese foi agora aceita pela Justiça. "A divulgação da informação tal como veiculada contém nítida capacidade de induzir o consumidor em erro", diz o juiz Evandro Carlos de Oliveira.
Em entrevista à reportagem tanto o secretário de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Benedito Braga, como o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, se mostraram contrários à adoção da contagem negativa do volume do Cantareira. Segundo eles, a medida não tem amparo técnico, uma vez que não seria possível falar em volume negativo, sob o ponto de vista científico.
Ao saber da decisão, a Sabesp incorporou a contagem em sua página na internet.
