Verba reduzida faz Unifesp cortar funcionários terceirizados
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) -A Unifesp afirmou nesta sexta (10) que teve de fazer cortes de funcionários terceirizados devido à escassez de recursos liberados pela União.
Segundo a universidade, a redução afeta serviços como limpeza e segurança, num corte entre 20% e 30% dos funcionários.
Nestes primeiros meses do ano, o governo Dilma Rousseff tem liberado mensalmente 1/18 dos recursos para as universidades federais, em vez dos tradicionais 1/12.
A política é adotada enquanto o decreto de execução orçamentária do ano não é publicado pelo governo, que vive momento de redução de despesas.
Segundo a reitoria, a redução de funcionários terceirizados foi tomada para evitar prejuízos diretos às atividades-fim da universidade (ensino, pesquisa e serviços à comunidade).
O temor da universidade é que o governo faça restrição ainda mais severa às instituições federais.
Numa tentativa de se defender de um eventual novo corte, reitores das federais e de outras entidades da educação lançaram nesta sexta manifesto para pedir para que não haja redução orçamentária para a educação pública.
O movimento defende que o Orçamento do Ministério da Educação não sofra redução. Mas, se for preciso, que sejam preservadas verbas para o ensino público.
"É na rede pública que o investimento público se enraíza. Não podemos ficar dependendo de Fies, Prouni", disse a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, em referência a programas federais que beneficiam alunos em instituições privadas.
O manifesto foi assinado até o momento pela Unifesp, instituto federal de educação de São Paulo, Universidade Federal de Itajubá (MG), SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
UNIVERSIDADES ESTADUAIS
Em meio a cenário de crise orçamentária, universidades públicas paulistas também estão cortando gastos. Unicamp e Unesp decidiram suspender contratações ou aumentos salariais via progressão na carreira. As medidas são semelhantes às tomadas pela USP no ano passado ?e que estão mantidas para 2015.
Há o temor entre os reitores de que ocorra queda neste ano nos repasses do governo estadual, principal fonte de renda dessas universidades públicas. Nos últimos meses, já cresceram menos do que a inflação, devido ao desaquecimento econômico.
As universidades recebem 9,57% da cota do Estado no ICMS (principal imposto estadual). Com desaquecimento da economia, desde agosto de 2014 essa arrecadação cresce menos que a inflação.
