Sem novo acordo, garis continuam parados em mais de cem cidades de SP
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após mais de duas semanas, cerca cem cidades paulistas continuam com o serviço de limpeza urbana prejudicado pela greve dos garis. A paralisação começou com 130 municípios afetados, mas 22 cidades fecharam acordo com as respectivas prefeituras nos últimos dias.
Uma nova audiência de conciliação, realizada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), terminou sem acordo nesta segunda (6). As empresas mantiveram a proposta de reajuste em 8,5%, enquanto os trabalhadores pedem 11,73%. Agora, as duas partes devem se manifestarem antes do Tribunal julgar o dissídio da categoria.
Apesar dos valores exigidos pelas partes, algumas prefeituras concederam o reajuste de 9,5%, proposto pelo TRT. Desde a semana passada, encerraram a greve as cidades do ABC, além de Osasco, Carapicuíba, Piracicaba, Bauru, Taubaté, Limeira, Suzano, Embu das Artes, Cotia, Presidente Prudente, Itapevi, Botucatu, Itanhaém, Paulínia, Mogi Mirim e Votuporanga.
A greve dos funcionários da limpeza começou no último dia 23 e, segundo a Femaco (federação dos trabalhadores de limpeza), era promovida pelos 17 sindicatos que têm data-base em março. Cidades como São Paulo e Campinas têm data-base em setembro e, por isso, não participam da atual negociação de reajuste.
A Selur (sindicato das empresas de limpeza urbana) disse, na semana passada, que "não pode assumir compromisso de proposta superior a 8,5%, uma vez que a situação das prefeituras e empresas dos demais municípios têm realidades econômico financeiras diferentes e não se pode esperar que tenham capacidade para arcar com aumento mais elevado".
Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, é uma das cidades que continuam com os serviços de limpeza prejudicados. Segundo a prefeitura, a empresa responsável pela coleta afirma estar mantendo 70% do efetivo operando e 70% dos varredores também passaram a trabalhar nesta terça.
O percentual mínimo de trabalhadores foi determinado pelo TRT, sob o risco de multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento.
Apesar de parte dos trabalhadores continuarem nas ruas, há ruas e calçadas lotadas de lixo em Taboão da Serra. Segundo a Femaco, há registro de profissionais que sofreram ameaças dos moradores de regiões periféricas, que seriam as mais afetadas. A estimativa da prefeitura é que após o fim das paralisações, a situação seja normalizada em até nove dias.
Segundo o Tribunal, o julgamento do dissídio coletivo envolvendo a categoria decidirá, dentre outras questões, sobre a legalidade da greve, compensação dos dias parados e aplicação de multas por descumprimento da liminar de efetivo mínimo.
