Iraque inicia exumação de 1.700 soldados massacrados pelo EI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As autoridades iraquianas iniciaram nesta segunda (6) os trabalhos de busca em 12 covas coletivas onde estão os corpos de cerca de 1.700 soldados xiitas massacrados por milicianos do Estado Islâmico (EI) na cidade de Tikrit, retomada dos radicais pelo exército na semana passada.
Em junho, o EI iniciou uma ofensiva sobre Tikrit, a cidade natal do ex-ditador Saddam Hussein, e massacrou soldados estacionados em Camp Speicher, uma antiga base do Exército americano.
Posteriormente, foram divulgadas imagens de milicianos atirando contra centenas de soldados de mãos atadas e deitados de bruços.
A retomada da cidade na semana passada, após quase um mês de confrontos e bombardeios, permitiu o início das buscas pelos corpos dos soldados massacrados.
"Nós cavamos a primeira cova coletiva hoje [segunda]. Até agora, foram encontrados ao menos 20 corpos. Evidências iniciais mostram que realmente se trata das vítimas do massacre de Speicher", disse à Reuters Khalid al-Atbi, um membro das equipes de busca em Tikrit.
Os restos mortais encontrados serão submetidos a testes de laboratório e comparados a amostras de DNA extraídas de familiares de cerca de 85% das vítimas.
No local das escavações, familiares e soldados prestaram homenagens às vítimas do massacre.
"Foi uma cena chocante. Não foi possível evitar que começássemos a chorar. Que bárbaros poderiam matar 1.700 pessoas a sangue frio?", adicionou al-Atbi.
Familiares das vítimas cobravam das autoridades iraquianas respostas sobre o incidente.
"Nós estamos felizes. Pelo menos as famílias saberão em breve o destino de seus filhos e primos", disse Ali Hamad, cujo primo Kamal está desaparecido desde o massacre.
