Acordo é melhor forma para prevenir bomba atômica do Irã, diz Obama
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a dizer que o acordo nuclear com o Irã é a melhor forma de prevenir que o país persa tenha a bomba atômica, apesar das críticas de Israel e das ameaças dos adversários republicanos.
Em entrevista publicada neste domingo (5) pelo jornal "The New York Times", o mandatário afirmou que entende o temor dos israelenses em relação aos iranianos, mas garantiu a proteção do Estado judaico em relação a qualquer ataque.
"O que eu diria ao povo israelense é que não há forma, não há opção, mais efetiva de evitar que o Irã tenha uma bomba nuclear que a iniciativa diplomática e o plano de ação que propusemos", disse.
Sobre o acordo, ele disse que os Estados Unidos são suficientemente poderosos para enfrentar os riscos do acordo e comparou a situação do Irã com a de Cuba, com quem retomou relações diplomáticas em dezembro.
"Não é um país que ameaça nossa segurança, então não há motivo para não testar a proposição. Se notarmos que isso não teve o melhor resultado, nós podemos ajustar nossas políticas", disse.
"O orçamento de defesa do Irã é de US$ 30 bilhões. O nosso é perto de US$ 600 bilhões. O Irã entende que eles não podem nos enfrentar. (...) A doutrina Obama é: nós vamos nos envolver, mas preservando todas as nossas capacidades".
Para o mandatário, a solução diplomática para o programa nuclear iraniano é a forma mais garantida de manter a segurança e a proteção de seus aliados, embora não descarte as opções militares.
"De fato, você pode argumentar que eles são opositores ferrenhos nossos, mais uma razão para nós queremos um acordo em que saberemos o que eles estão fazendo e que, por um longo período, possa impedir que eles tenham uma arma nuclear."
CRÍTICAS
Na entrevista, ele disse se preocupar com a retórica de políticos israelenses, organizações judaicas americanas e republicanos, que o acusam de ser contra Israel por ter assinado o acordo com o Irã.
"Tem sido pessoalmente difícil ouvir expressões de que este governo não fez tudo o que poderia para cuidar dos interesses de Israel e a insinuação de que não consideramos o contexto da amizade e as ameaças que o povo israelense continua a enfrentar".
Sobre a ameaça dos republicanos de tentar derrubar o acordo e as mudanças nas sanções no Congresso, ele voltou a dizer que preservará seu poder de definir os acordos por ordem executiva (decreto-lei).
